Por causa de uma disputa envolvendo os doces afagos do Liminha, ex-melhor-amigas Bete e Rita se engalfinharam numa guerrilha na Internet, onde todas as armas foram amplamente utilizadas – Twitter, Whatsapp, vulgo ZapZap, Instagram, Linkedin, Facebook, e o que mais viesse e aceitasse. Quem lucrou foi o Liminha, que subiu no ranquing dos mais disputados e choveram gatas mais qualificadas. Além de ex amigas, Bete e Rita viraram ex do Liminha.
Restou nas nuvens apenas a certeza de que, no amor como nos negócios, a rede deve ser usada com cautela. Sozinhas e desmoralizadas pelo baixo nível da campanha, ficaram ambas sem a melhor amiga, sem amigos e sem namorado. Mas se amizade estremecida é como jarra quebrada – por mais que cole nunca mais conserta – o amor é mais versátil, ou mais tolerante, e a rede está sempre disponível para remendos e reparos.
Sabemos que é rio sem retorno – veio para ficar, e cada vez mais vai envolvendo nosso trabalho, nossos relacionamentos, nossa vida. E como no Olimpo não andam distraídos, Cupido também caiu na rede – só nos Estados Unidos, 50 milhões usam ou já usaram os sítios disponíveis de namoro virtual. O final infeliz também aderiu – metade dos relacionamentos começados na Internet terminaram por email. Grosseria, mas faz sentido, não?
Hoje, um em cada dez americanos apela para o cupido virtual, o que quer dizer que a maioria ainda usa os métodos tradicionais. Mas até quando? O romance de Bete e Liminha começou da forma tradicional – frequentavam a mesma escola e a mesma academia. Terminaram também de forma tradicional, mediante a chamada prova cabal do crime – Bete o encontrou aos amassos com Rita, então melhor amiga.
Mas o mundo e o amor estão mudando. Uma pesquisa de 2005 revelou que poucas pessoas usavam ou conheciam quem nessa época usasse sítios de relacionamento, e a opinião do público sobre tais encontros era bastante negativa. Onze anos depois, 15% dos adultos na América admitem usar ou ter usado sítios de encontros ou algum aplicativo móvel de namoro. Ou seja, 50 milhões de pessoas.
Em 2005, poucas pessoas tinham acesso a esses sítios ou conheciam quem os usasse. Hoje, a maioria das pessoas conhece alguém que se casou ou tem um relacionamento estável começado nas ondas virtuais. E porque esses relacionamentos estão durando, muitos deles com filhos, a opinião pública também mudou, tornando-se menos preconceituosa e mais otimista. Naturalmente, levando outros a usar a opção.
Antes, 23% das pessoas achavam que só os “desesperados” procuravam parceiros online. Hoje a maioria das pessoas já não pensa assim, e os romances virtuais estão se tornando rotina. Baseadas nessas estatísticas e nos fatos observados no dia a dia, Bete e Rita também caíram na rede, na busca pelo moderno Santo Graal – Amor com A maiúsculo com direito a final feliz.
Não demoraram nas nuvens – as duas acharam parceiros mais sinceros que o Liminha, que continua pulando de ninho em ninho. E aprenderam ambas uma dura lição – também a rede tem uma regra de ouro válida para tudo e todos, seja na vida real ou virtual – Nunca postar sobre os outros o que não quer que postem sobre você.

