
Na véspera da votação da denúncia contra o presidente Michel Temer na Câmara dos Deputados, prevista para esta quarta-feira (2), os parlamentares da bancada capixaba, certamente, já têm posições marcadas sobre seus votos, certo? Não! Três dele insistem em se esquivar, praticamente os mesmos citados pela coluna há duas semanas: Evair de Melo (PV), Marcus Vicente (PP) e Norma Ayub (DEM), com exceção de Paulo Foletto (PSB), que também estava na lista dos “indecisos”, mas agora se decidiu e diz que vai votar a favor da denúncia que poderá autorizar a abertura de processo no Supremo Tribunal Federal (STF) contra Temer, sob acusação de corrupção passiva. Hoje, entre os dez deputados, seis são a favor da denúncia, alguns muito críticos ao presidente, outros nem tanto, como mostrou o jornal A Tribuna nesta segunda-feira (31). Estão do lado do jogo contrário a Temer, além de Foletto, os petistas Helder Salomão e Givaldo Vieira, Jorge Silva (PHS), Carlos Mannato (SD) e SérgioVidigal (PDT). Do outro, por motivos óbvios, o líder da maioria na Casa, Lelo Coimbra (PMDB), e esses três que não cravam sua decisão publicamente. Sim, porque a essa altura do campeonato, esconder posição, só pode ser para evitar desgaste antecipado. Numa decisão importante como essa, alguém acha, mesmo, que eles ainda não sabem como irão votar? Ah, para!
Suicídio político
Os prejuízos, tudo indica, serão inevitáveis, como comprovou pesquisa Ibope divulgada nesta segunda na imprensa nacional. Dos eleitores consultados, 81% defendem a aceitação da denúncia; 79% acreditam que os deputados que votarem contra são “cúmplices de corrupção”; e 73% concordam que esses não deveriam ser reeleitos em 2018.
Suicídio político II
Evair, Norma e Marcus Vicente dormirão com esse barulho ou ainda poderão mudar de ideia? Evair e Marcus, como se sabe, são candidatos à reeleição. Já Norma tem planos mais locais, portanto, terá mais chance de se recuperar dos arranhões.
Mesma vala
Má notícia, também, para o governador Paulo Hartung e Renato Casagrande (PSB). Outra pesquisa, divulgada pelo jornal O Globo, aponta que 57% dos eleitores acham que políticos envolvidos em casos de corrupção, como os investigados na Lava Jato, não merecem seu voto. Os dois adversários, prováveis candidatos em 2018, entram nesse bolo.
Mesma vala II
Hartung e o socialista estão na lista da investigação por suposto recebimento de dinheiro via caixa dois da Odebrecht. Hartung teria recebido R$ 1,080 milhão e Casagrande R$ 1,8 milhão. No caso do governador, também não dá para esquecer da empreiteira OAS: R$ 800 mil de doação eleitoral na campanha de 2014.
O novo
Outro dado interessante trata da ansiedade dos eleitores por mudanças. Mais de dois terços, ou 79%, gostariam que a próxima eleição apresentasse novidades, principalmente, candidaturas de pessoas comuns, sem passado, vícios ou à margem da política atual. Conceito que, no Estado, tem jogado luz no deputado estadual Sérgio Majeski (PSDB).
Independente
A pesquisa inédita foi realizada pelo grupo ativista independente Agora!, dedicado à análise de políticas públicas. Foram consultados 10.063 eleitores dos 37 maiores colégios eleitorais (26 capitais e 11 cidades), entre os dias 11 e 25 de julho. Margem de erro de 1,75%.
Atrás do prejuízo
Por falar em Casagrande, ele segue com suas apresentações em câmaras municipais, acompanhada de uma retrospectiva do seu mandato no município em questão. Nesta segunda, é a vez de Marechal Floriano. Tem jeito?
Expectativa
O empresário Antônio Perovano, diretor-superintendente do clube Vitória, além da área do esporte, sempre transitou bem na política capixaba, a ponto até de se filiar ao PP. Mas, recentemente, migrou para o Avante (ex-PTdoB), atraindo os olhares do mercado político. Tentará um mandato em 2018?
Projeto
No Avante, também está um amigo de Perovano, o ex-deputado estadual Nilton Baiano, que era igualmente do PP, e tem planos de retornar à Assembleia.
Repercussão
O vice-presidente do PP-ES, Willian Abreu, comenta as notícias de bastidores de que o presidente regional da sigla, Marcus Vicente, estaria levando o partido para uma aliança com Hartung na disputa de 2018. “Se o Marcus Vicente não se aliar, compor e pedir o apoio do governador PH para a eleição de 2018, não terá chance alguma de ganhar a reeleição”, avalia.
Repercussão II
Para o vice-presidente do partido, o deputado não admite a articulação para mostrar independência, pois sabe que perderia o prefeito de Vitória, Luciano Rezende (PPS), os cargos que o PP tem na gestão municipal (12 ou 15, segundo ele), e ainda Casagrande. Willian e o deputado são rompidos desde a disputa de 2016, por divergências políticas.
Nas redes
“Com as eleições de 2018 se aproximando, o cinismo e a cara de pau superam todas as expectativas”. (Deputado estadual Sérgio Majeski – PSDB – sobre o anúncio do governador de estender pagamento do auxílio-alimentação a todo funcionalismo, como um ato espontâneo de sua gestão, enquanto decisão judicial o obriga a tal).
PENSAMENTO:
“A inteligência é a insolência educada”. Aristóteles

