A reportagem do jornal EShoje, repercutida por Século Diário, desvela as relações entre Éconos, Rodosol e as empresas A. Madeira e Araribóia, que são de propriedade dos sócios da concessionária que administra a Terceira Ponte e a ES-060.
Segundo a reportagem, a Éconos, do ex-governador Paulo Hartung e do ex-secretário de Fazenda José Teófilo, prestava serviços às empresas. Mensalmente, eram repassadas pequenas quantias à consultoria. Entre os anos de 2010 e 2013, a Éconos recebeu R$ 262 mil dessas empresas. No início dos pagamentos, em 2010, Hartung exercia o seu último ano de mandato no governo. A notícia que corria era de que Hartung, após deixar o Palácio Anchieta, assumiria formalmente a sociedade na consultoria. Informalmente, porém, o mercado já sabia que ele estava com Teófilo na Éconos.
Os dois, aliás, desde 2008, já vinham captando negócios para a consultoria. O primeiro grande cliente da Éconos foi a mineradora Ferrous Resources. Com a ajuda de Hartung e Teófilo, a empresa recebeu incentivos fiscais para instalar um complexo siderúrgico e portuário no município de Presidente Kennedy (litoral sul capixaba). Em contrapartida, a Ferrous contratou a Éconos e outros parceiros do ex-governador para fazer a intermediação na compra de terrenos no município. Somente as operações renderam um total de R$ 121,6 milhões às empresas envolvidas no negócio.
Outro transação escusa envolvendo Hartung e Teófilo se deu com o grupo Energias do Brasil (EDP Escelsa). Em 2008, o Estado alienou à empresa um terreno em Vila Velha para a construção da uma subestação de energia. A Escelsa pagou a pechincha de R$ 1,9 milhão, mas o valor de mercado da região era cinco vezes maior. O caso segue sendo investigado pelo Ministério Público Estadual (MPES).
Não bastasse, o governo Hartung concedeu à empresa R$ 290 milhões em incentivos fiscais há menos de um mês do final de seu governo. Sem contar que em março de 2008, o então secretário de Finanças José Teófilo já havia garantido a renúncia fiscal de R$ 127,8 milhões para a empresa Santa Fé Energia SA, que também é do grupo EDP.
O episódio mais imoral da relação de Paulo Hartung com a EDP-Escelsa, porém, viria após o peemedebista deixar o governo. A paga por todo esse empenho em facilitar a vida da empresa no Estado veio com a nomeação do ex-governador para o cargo de conselheiro do grupo Energias do Brasil (EDP). A função, logicamente, é remunerada. Cada membro do conselho recebe, em média, cerca de R$ 10 mil por reunião. Ocorrem de nove a dez reuniões por ano.
Os casos citados, apenas uma amostragem de um universo que ainda é desconhecido, já são suficientes para evidenciar que as relações entre Hartung e Teófilo com empresas que operavam com o governo eram promíscuas.
Se isso não é tráfico de influência, é preciso alterar Código Penal. Vejamos o que diz o Art. 332: “Consiste em solicitar, exigir, cobrar ou obter, para si ou para outrem, vantagem ou promessa de vantagem, a pretexto de influir em ato praticado por funcionário público no exercício da função. A pena prevista é de reclusão, de 2 a 5 anos, e multa. A pena é aumentada da metade, se o agente alega ou insinua que a vantagem é também destinada ao funcionário”.

