Hoje, excepcionalmente, não escreverei neste espaço sobre direitos Humanos. Peço licença aos leitores para responder o texto do colunista Gabriel Tebaldi, publicado em A Gazeta (27/02/2016) sob o título Heróis.
Tebaldi escreve que “Lula construiu-se como alguém intocável, acima do bem e do mal, e constantemente aplaudido por quem tem hábito de ovacionar bandidos”.
Caro Tebaldi, tenho 72 anos, 56 de militância política, e durante a ditadura civil militar, diversas vezes fui preso, torturado e cumpri dez anos de condenação política, digo isto porque naqueles tempos e agora também, a distorção da verdade jamais servira para fortalecer a democracia e a liberdade em nosso país.
Posso afirmar que tenho aplaudido Lula na sua trajetória de lutas e não tenho “hábitos de ovacionar bandidos. ”Acredito que quando escreveu seu texto, não estava lúcido, nem tenha se preocupado com a verdade e isto não é bom para ninguém, em especial para alguém que além de jornalista cursou história na Ufes. Devemos respeitar as diferenças políticas partidárias e ideológicas, mas não aceitar a falsificação de fatos e acontecimentos como algo normal.
O que temos hoje de democracia foi fruto de muitas lutas, de muito sacrifícios de gerações que tiveram a coragem e a dignidade de lutar para que você pudesse livremente escrever e manifestar sua opinião,mas falsear a realidade com objetivo de atingir e desclassificar o operário Luiz Inácio Lula da Silva, que esteve presente na linha de frente no combate a ditadura civil militar e sempre se pautou a sua vida pública para ampliar e consolidar a democracia e a liberdade no Brasil.
Além da tentativa de desqualificar Lula, você agride de maneira grosseira milhões de pessoas, no Brasil e em todo o mundo que aplaudem Lula e não tem “hábitos de ovacionar bandidos”. Lula sempre foi odiado pelas elites conservadoras e pelas direitas de todos os matizes.
Quero dizer que tenho aplaudido o retirante e sobrevivente nordestino, o operário Lula, que se tornou a maior liderança sindical brasileira, que enfrentou afrontou as multinacionais e os militares e civis que governavam nosso País, com apoio das armas e da mídia. Lula se torna respeitado por sua audácia, coragem e liderança, que teve a iniciativa de fundar um partido de trabalhadores, em plena ditadura militar e que foi eleito deputado constituinte por São Paulo com a maior votação naquele pleito, que foi eleito e reeleito presidente do Brasil, algo que por si só é motivo para ser admirado e aplaudido por todas as pessoas com algum senso de justiça e honestidade intelectual, mesmo que não concordem com suas ideias.
Lula é hoje, apesar do massacre midiático, a maior liderança política deste País e considerado o melhor presidente que o Brasil conheceu. Por sua origem de classe Lula, sofreu e venceu incontáveis barreiras e preconceitos desde sua infância e em toda sua história de vida até hoje.
Vale a pena lembrar que Barack Obama, presidente da maior potência econômica, política e militar do planeta, disse referindose a Lula: “Esse é o cara”, como forma de respeito e admiração. Na Europa as principais lideranças políticas tratam o ex-presidente Lula com respeito e admiração.
No Continente Africano, Lula é a grande referência política. Na América Latina e Caribe, no Oriente Médio Lula tem imenso prestígio.
No campo da política internacional, ele teve importante papel na criação dos BRICS, que está mudando o eixo da economia e da política mundial. Na América Latina desempenhou importante papel no fortalecimento do Mercosul e da Unasul e no sepultamento da Alca.
É a personalidade brasileira que recebeu maior número de títulos e comendas, incluindo as acadêmicas das principais universidades do mundo e ele não perdeu a sua ligação com os movimentos de onde ele veio, é sempre requisitado pelas principais centrais sindicais do mundo e movimento sociais para fazer palestras e receber homenagens. Isto é possível encontrar na página do Instituto Lula. Além de ser o conferencista mais bem pago a um brasileiro dentro e fora do Brasil.
Assim Lula e aplaudido por chefes de estados, academias, celebridades, artistas, intelectuais sindicalistas e movimentos sociais. A Rede Globo e o megaempresário Soros já fizeram contratação de suas palestras.
Gabriel, como você pode ver Lula não é aplaudido e ovacionado “por quem está acostumado aplaudir bandidos”.
O nome e a admiração do Lula vêm da sua trajetória, bem antes dele ser o operário presidente que foi eleito e reeleito num país continental como é o Brasil. Não foi amparado “pelo marketing do presidiário João Santana” como você atribuiu no seu artigo.
Escreve ainda que “Lula não passa de mais um entre tantos descarados que viram nas fragilidades do Brasil um trampolim para si mesmo”. E acrescenta: “Não precisamos de heróis; precisamos com urgência de líderes realmente comprometido com as necessidades reais de seu povo e prontos em intelecto e competência para combatê-las. ”
Seria um exercício interessante fazer um quadro comparativo das realizações do governo Lula e de outros que governaram o Brasil. Isso deixaria evidente a grande diferença entre eles.
Você tem razão quando diz que não precisamos de heróis, precisamos de líderes. Sem sombra de dúvidas Lula é a maior liderança que nosso povo produziu. Lula não se considera herói e nem atribui a si o que foi realizado por outros a exemplo do Plano Real feito pelo então presidente Itamar Franco e indevidamente apropriado por FHC.
Lula tem sido aplaudido e admirado não “pelos que estão acostumados a ovacionar bandidos”. Lula tem sido caluniado, difamado exatamente por aqueles que têm hábitos e costumes de bajular os poderosos e que se alimentam de mentiras e preconceitos. Esse operário filho do povo, que tirou nosso país do mapa da fome, que duplicou as vagas nas universidades, que transformou o Brasil na sétima economia do planeta, transformou o Brasil de devedor do FMI em um país credor, um país com grandes reservas internacionais.
Veja quem são seus principais desafetos, são aqueles que nas suas vidas pregressas nem sempre estiveram dispostos a se sacrificar por seus ideais e ou que hoje renegam as lutas que travaram.
A verdade e a ética não podem nem devem faltar para nenhum profissional, em especial aos profissionais de mídia, sobretudo aqueles que, lamentavelmente, participaram, apoiaram e se beneficiaram da ditadura civil militar, que deixou um rastro de sangue e de crimes contra a cidadania. Naqueles tempos sombrios a verdade sempre era ocultada ou falseada.
A mentira repetida foi um instrumento do nazismo e do fascismo, usado para atacar as minorias. Você sabe que não foi o jornalista e o marqueteiro Santana que fez a imagem do Lula, e nem subestime a capacidade do nosso povo. Lula esteve na luta pelo fim da ditadura pela anistia, nas Diretas Já e no Fora Collor. Ele não se omitiu nos principais momentos das lutas do nosso povo.
Lula não está acima do bem e do mal e você que trabalha na mídia, sabe bem como ele o seu partido tem sido tratado pela mídia e pelos seus opositores e pela Justiça.
Em tempo: este texto foi escrito antes da operação Aleteia, que conduziu Lula coercitivamente, num ato ilegal, para depor na PF.

