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Retrocesso político

O governo de Renato Casagrande (PSB) cometeu muitos erros, talvez o mais capital tenha sido dizer sim ao pacto de continuidade, blindando o governo do então antecessor Paulo Hartung. Mas, justiça seja feita, nos quatro anos sob a gestão do socialista o Estado respirou ares bem mais democráticos. 
 
Nas eleições de 2012, por exemplo, sob a gestão de Casagrande, não se ouviu falar de perseguições e retaliações às lideranças políticas que faziam oposição ao seu governo. Bons tempos!
 
Semana passada, durante sua prestação de contas na Assembleia Legislativa, Hartung disse que havia mudado bastante em comparação àquele Hartung que governara o Estado entre 2003 e 2010. Não é verdade, o “novo Hartung” é exatamente igual ou ainda pior ao anterior: continua fazendo a mais rançosa das políticas.  
 
Os movimentos iniciais das eleições municipais deste ano confirmam o perfil déspota do governador. A prova inconteste dessa política retrógrada, que se faz presente de norte a sul do Estado, se revelou em Vitória, com a desistência repentina e surpreendente de Luiz Paulo Vellozo  Lucas da disputa a prefeito, anunciada nesta terça-feira (19) pelo próprio tucano. 
 
Na carta publicada para explicar os motivos de sua saída da disputa, Luiz Paulo fez declarações veladas, parecia querer poupar “importantes lideranças políticas”: “(…) decidimos não levar adiante o projeto de candidatura, tendo em vista intransponíveis contradições com as articulações eleitorais e a interferência de importantes lideranças políticas do Espírito Santo”. 
 
Quem acompanha o dia a dia da política já sabia da insatisfação de Luiz Paulo com a pré-candidatura de Amaro Neto (SD). Ele vinha enviando recados recorrentes ao Palácio Anchieta suplicando para Hartung solucionar o problema que ele mesma criara. 
 
Como o criador não conteve a criatura, Luiz Paulo achou melhor desistir para não correr o risco de sofrer a quarta derrota consecutiva nas urnas (foi derrotado em 2010, 2012, 2014). As declarações de Luiz Paulo para sair da disputa não esconderam a frustração do tucano. Afinal, ele tinha absoluta convicção de que receberia o apoio incondicional de Paulo Hartung, por acreditar ser o candidato mais qualificado para a governar Vitória. 
 
O desfecho desta terça-feira revelou, porém, que as expectativas de Luiz Paulo e Hartung sempre foram opostas, o que gerou o ponto de inflexão entre ambos. O tucano acreditava que o governador compartilhava dos seus mesmos ideais: empreender um projeto de governo que pudesse imprimir a Vitória transformações sociais e urbanas. 
 
Mas Paulo Hartung não faz política pela via da ética nem tampouco ancorada em ideais. Ele continua disposto a decidir as eleições para se manter no poder e garantir o fortalecimento de seu grupo político. Para Hartung, a eleição é um negócio que ele controla do seu gabinete com pesquisas na mão. Seu candidato é sempre o que tem mais intenções de votos, e não necessariamente o que tem o melhor projeto político. Luiz Paulo percebeu um pouco tarde que não poderia fazer parte de um jogo cujas regras contrariam seus princípios éticos e morais. Terá que voltar num outro momento, quando o Espírito Santo tiver se livrado da velha política.

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