Chamou atenção do mercado político as recentes movimentações das lideranças políticas com potencial para a disputa eleitoral do próximo ano, sobretudo do prefeito de Vitória, Luciano Rezende (PPS), que retornou nessa semana de um mergulho em águas profundas, novamente com a polêmica da Cesan, depois que seu nome apareceu em uma lista de financiamentos de campanha da Odebrecht.
A impressão é de que após o governador Paulo Hartung (PMDB) – citado como o articulador do pedido de financiamento para as campanhas de aliados em 2010 e 2012 –, sair às ruas e tentar voltar à vida normal, enquanto a imprensa esquece a delação dos ex-executivos da Odebrecht envolvendo lideranças capixabas, os outros nomes envolvidos no escândalo também entendem que tudo será esquecido e o jogo de 2018 pode ser retomado.
Hartung vem retomando suas agendas pelo interior, evitando situações de confrontos e fortalecendo sua imagem com o eleitorado do próximo ano, enquanto observa o cenário para escolher a melhor acomodação para a disputa.
Na semana passada, o prefeito da Serra, Audifax Barcelos (Rede), outro jogador do chamado segundo pelotão, em encontro com a participação da ex-senadora Heloísa Helena, voltou a ser colocado como a promessa da Rede para a disputa do próximo ano. Audifax seria o nome do partido no Estado para a disputa ao governo, para dar sustentação ao palanque de Marina Silva.
Mas voltando a Luciano Rezende, esse sim é perigoso. Ele vinha crescendo politicamente, fazendo uma articulação forte para o governo do Estado, furando, inclusive, a fila. Isso porque o combinado era de que Luciano fosse apoiar Renato Casagrande (PSB) na disputa do próximo ano e não disputar o governo. Seus movimentos, porém, são de quem vai disputar o governo e não esperar a próxima oportunidade.
Outro que tenta uma recuperação é o senador Ricardo Ferraço (PSDB) que, como um dos relatores da Reforma Trabalhista, ganha visibilidade, mas sua manobra é a mais arriscada de todas, afinal, o assunto é espinhoso e tem muita resistência de grande parte da população.
A situação mais delicada, porém, é a do ex-governador Renato Casagrande. Ele continua se movimentando pelo interior. Mas sem a máquina, como tem Hartung, para fazer entregas e desviar o foco das denúncias, ele não tem um trunfo. O ex-governador também não tem uma briga que agregue apoio como Luciano Rezende e nem uma visibilidade nacional como Ricardo Ferraço. Neste sentido, a última fotografia é a da denúncia, o que pode complicar sua vida para 2018.

