Como se esperava, a prestação de contas do governador Paulo Hartung (PMDB) foi um espaço político com cobertura da imprensa, presença da classe política e claque e transmissão ao vivo pela TV, para que, ele mais uma vez, repetisse o discurso do caos.
Mesmo sem ter sido citado nominalmente, Renato Casagrande (PSB) foi mais uma vez o alvo dos discursos de Hartung. Como vem fazendo desde abril do ano passado, Hartung tenta emplacar no ex-governador o rótulo de incompetente. Diz que a eleição acabou, mas não desce do palanque. Diz que não olha pelo retrovisor, mas não para de falar no passado.
O governo de Paulo Hartung ainda não tem nada para mostrar. E não deve ser cobrado por isso, por enquanto. Com dois meses de governo não dá para fazer prestação de contas. O planejamento estratégico do governo só será concluído no final do mês. Este primeiro semestre, na verdade não deve ser de cobranças.
Mas Hartung tem de ter em mente a certeza de que não poderá esticar esse discurso por muito tempo. Não dá para ficar quatro anos batendo na mesma tecla como fez em seus dois mandatos passados. O mundo mudou em quatro anos.
O governo de Renato Casagrande não foi a oitava maravilha do mundo, mas teve avanços na área social. E se Hartung mantiver a torneira fechada para esses setores, e retomar a dinâmica de concentração de renda, a sociedade não vai engolir, como engoliu no passado.
Já o ex-governador fez o certo, respondeu pelas redes sociais, mas tem de ser mais incisivo. Ele também precisa de uma estratégia. Diante da passividade de seus correligionários e um iminente enfraquecimento de seu partido no Estado com a debandada de lideranças socialistas, Casagrande precisa repensar sua movimentação política e encontrar mecanismos de deixar essa disputa em pé de igualdade.
Uma coisa é certa, nenhum dos dois está disposto a deixar o ringue e desistir da briga. Tudo indica que outros embates virão.
Fragmentos:
1 – As brincadeiras sobre a idade entre o deputado Hércules Silveira (PMDB) e Theodorico Ferraço (DEM) não perdoaram nem a prestação de contas. Aliás, até isso pareceu ensaiado na sessão desta quarta-feira.
2 – O deputado federal Helder Salomão (PT-ES) faz parte da Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio da Câmara Federal, que foi constituída na manhã desta quarta- feira (4).
3 – Já o deputado federal Sérgio Vidigal (PDT-ES) foi indicado pela liderança do partido como titular da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados.

