
O senador Ricardo Ferraço (PSDB) parece que sentiu, mesmo, os efeitos da entrada do deputado estadual Amaro Neto (SD) na disputa ao Senado no próximo ano. A impressão do mercado político é que ele ficou igual cego em tiroteio, sem uma estratégia eleitoral definida. Logo do lançamento da candidatura de Amaro, com apoio de 19 deputados, e sinalização de que integrará o palanque à reeleição do governador Paulo Hartung, o tucano se reaproximou do senador Magno Malta (PR), num movimento de legítima defesa. A parceria, como se sabe, estava suspensa desde que Ferraço teve seu nome citado nas delações da Odebrecht. No entanto, o que chamou mais atenção foi a movimentação de Ricardo na direção da senadora Rose de Freitas (PMDB), com quem nunca compartilhou de planos políticos. Não é novidade que Rose articula uma candidatura ao governo do Estado, como campo de oposição a Hartung. Esse projeto ganhou ainda mais força nesse sábado (2), com o evento em Água Doce do Norte, onde ela reuniu 28 prefeitos e muitos parlamentares. A questão que Ricardo não fez de participar da visita ao Estado do presidente em exercício Rodrigo Maia (DEM-RJ), ao lado do governador, ele fez de prestigiar Rose. Sinal de que o tucano não se sensibilizou com a proposta que teria sido feita pelo grupo de Hartung para compor como vice na chapa palaciana, o que significaria retroceder anos da sua trajetória política. Fora desse campo, porém, o senador tem seguido a maré eleitoral. Em um cenário que se desenha pra lá de concorrido, busca a necessária acomodação para brigar pela cadeira. Qual será o palanque da vez?
Reforço
No campo de oposição a Hartung, o senador tem um franco atirador, que não é de se dispensar: o próprio pai, Theodorico Ferraço (DEM), adversário de Hartung. Junto no tiroteio, a deputada federal Norma Auyb (DEM), mulher de Theodorico, e também rompida com o governador. Os dois, inclusive, já fizeram discursos simultâneos em plenário contra Hartung.
Correu do foco
Ainda sobre Água Doce do Norte, quem também esteve no evento que se transformou em um ato político de Rose, conta que a deputada estadual Raquel Lessa (SD) fez de tudo para não sair nas fotos. Ela não parecia disposta a ser vista, afinal, tem cadeira cativa nos eventos de Hartung, desafeto da senadora.
Cara na reta
O ex-governador Renato Casagrande (PSB), que tem se movimentado bastante no interior do Estado, começa a se arriscar na Grande Vitória. Nesta segunda-feira (4), repetiu sua palestra na Câmara da Serra. Ele e Hartung estavam evitando a região, onde os ecos da Lava Janto são mais evidentes e, por isso, mais propensos à rejeição dos eleitores.
Esquiva
Casagrande, aliás, jogou um balde de água fria na militância do PSB no congresso estadual realizado nesse sábado. Se havia alguma expectativa dele sair candidato ao governo, na prometida revanche a Hartung, não deve ter mais. O ex-governador mostra, a cada dia, que não se articulou nesse sentido e, tudo indica, deve ser mais um a congestionar a disputa ao Senado.
Esquiva II
A essa altura do campeonato, aliás, com a disputa mais antecipada do que nunca, difícil cair nesse discurso de Casagrande de que só vai decidir sobre o governo no início de 2018.
Aliança
O ex-governador já sinalizou conversas com a senadora Rose de Freitas. Como ele não ocupou o campo da oposição, ela se encarregou. Agora, resta aglutinar forças em torno desse projeto.
Retrocesso
Em Conceição da Barra, norte do Estado, os vereadores ameaçam derrubar a lei que proíbe novos plantios de eucalipto no município, que já tem 80% de sua área ocupada pela monocultura da Aracruz Celulose (Fibria) e da Suzano. A jogada atenderia a interesses de empresas de cana, que querem vender suas áreas para substituí-las por mais eucalipto. Inclusive, ligadas ao ex-prefeito Jorge Donati, morto em 2016.
140 toques
“Ou Joaquim Barbosa está gagá, ou é muito mal informado, ou não é a pessoa que pensei que ele fosse!”. (Deputado estadual Sérgio Majeski – PSDB – sobre os elogios do ministro a Hartung).
PENSAMENTO:
“O silêncio é um amigo que jamais atraiçoa”. Confúcio

