Não dá para entender a Assembleia Legislativa. Todos os poderes já entenderam que o cenário é outro. Até mesmo os prefeitos, dadas as devidas proporções, mandam seus recados. Mas a Assembleia continua achando que o Espírito Santo vive em um feudo, um império, em que qualquer ordem vinda do Palácio Anchieta, deve ser cumprida sem questionamento. Não é assim.
Este ano, a Assembleia abriu mão em vários momentos de seu dever de fiscalizar o Executivo. Assinou vários cheques em branco para o governo do Estado fazer o que quiser com o orçamento. Permitiu, inclusive, que ele mexesse no orçamento enviado pelo antecessor. Depois permitiu que ele mexesse nas rubricas sem a prévia aprovação da Casa e como se não bastasse, permitiu uma LDO aprovada abaixo da inflação.
Agora, abriu mão de realizar audiências públicas para debater o Orçamento e admite, por meio de seu presidente, Theodorico Ferraço (DEM), que não vai mexer no Orçamento 2016. Não vai alterar nada, não vai sugerir mudanças. Só vai carimbar o documento e deixar que o governo faça o que quiser, sob a alegação de que o Estado está em crise e que a omissão é um gesto de solidariedade ao governo.
Como se o Estado estivesse mergulhado em uma crise gerencial e que apenas Hartung tem a capacidade política e intelectual para tirar o Espírito Santo dessa situação. Reforçam assim um discurso que depõe contra a Casa. Ao permitir que o Executivo se torne todo poderoso novamente, a Assembleia se diminui.
Depois os deputados reclamam que não são respeitados pelo Poder Executivo. Mas, como diz o ditado, quem planta vento, colhe tempestade, e o clima que o legislativo está criando para si próprio não é nada promissor.
Fragmentos:
1 – A ideia de fazer uma manifestação em frente à Assembleia em vez de se concentrar no Palácio Anchieta tem uma mensagem muito significativa: os prefeitos não quiseram deixar transparecer qualquer tipo de pressão ao governador Paulo Hartung (PMDB).
2 – Mas as mensagens diretas do governador pelos jornais, dizendo que eles agiram como “novos ricos”, gastando com festas e obras e o dinheiro acabou, deixou claro que o governador não vai mover uma palha para ajudá-los.
3 – A impressão é que mesmo que o cofre estivesse esborrando, Hartung não ajudaria os prefeitos, afinal, ele não esqueceu o documento assinado por 60 prefeitos em favor da reeleição de Renato Casagrande (PSB). Só repassou os R$ 86 milhões porque não teve jeito, os municípios têm direito a esse dinheiro.