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Sem preparo

Na reunião do Conselho de Cultura na noite dessa quinta-feira (23), que terminou em confusão, ficou mais uma vez evidenciada a fragilidade da equipe do governador Paulo Hartung (PMDB). 
 
O encontro, com direito a palavras de baixo calão, que pouco combinam com o clima que deveria ser estabelecido na Biblioteca Pública do Espírito Santo, deveria discutir as políticas do setor, mas o secretário João Gualberto mostrou despreparo ao lidar com críticas e endurecimento do debate. 
 
Mas essa não é uma situação exclusiva da Cultura. Na Saúde, a transferência de recém-nascidos da maternidade do Hospital Dório Silva, da Serra para Vila Velha, já gerou até manifestação e o secretário Ricardo Oliveira se mostra irredutível no assunto. 
 
Só é maleável na hora de negociar com os filantrópicos, que têm uma relação bem questionável com a população. Atendem à demanda do SUS, mas Deus sabe a que custo de medicamentos e procedimentos. 
 
Na Educação, nem se fala. A malfadada tentativa de empurrar a Escola Viva goela abaixo dos professores, alunos e pais, também causou muita reação. Enquanto isso, o secretário de Educação, Haroldo Correia Rocha, continua deixando de lado a discussão do Plano Estadual de Educação. 
 
Não vai surpreender ninguém se quando junho chegar, a secretaria sacar do fundo de uma gaveta um projeto prontinho, sem nada do que foi discutido até dezembro do ano passado com o Conselho de Educação. 
 
Se serve de alento, não é só com o cidadão comum que o diálogo é duro. Na Assembleia Legislativa, a falta de diálogo entre o secretário-chefe da Casa Civil, Paulo Roberto, e os deputados estaduais tem causado muitas reclamações. E olha que Paulo Roberto vem do Legislativo. 
 
Hartung se preocupou em encher seu secretariado de nomes que pudessem ter alguma repercussão visual ou midiática, mas esqueceu-se de que não é mais possível estabelecer uma relação vertical, passando por cima de tudo e de todos. Está na hora de o governador e seus comandados procurarem ouvir mais e darem o braço a torcer, atendendo o que quer o povo e não o que quer apenas o governador. 
 
O tempo do absolutismo já passou. 
 
Fragmentos:
 
1 – Como membro da comissão especial que prevê mudanças na lei de licitações (8.666/93), o deputado federal Helder Salomão (PT) realizará em Vitória, no mês de julho, um seminário para debater os impactos que a legislação vigente provoca na administração pública.

 

2 – A Federação das Indústrias do Estado (Findes) está veiculando uma propaganda em defesa do projeto aprovado pela Câmara dos Deputados em favor da universalização da terceirização. Diz que 70% dos deputados federais do Estado votaram a favor. Mas na segunda chamada, foram 50%.

 

3 – Frase dos manifestantes em frente ao Ministério Público do Estado (MPES), pedindo a reestruturação do órgão: “Faça o que eu digo, não faça o que eu faço”.

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