Na entrevista a Século Diário, o deputado estadual e pré-candidato a prefeito de Vitória, Enivaldo dos Anjos (PSD) disse que a relação entre o capital privado e a classe política vai muito além da doação de campanha. Em busca de favorecimentos depois das posses, as empresas vão continuar apostando suas fichas em seus candidatos.
O deputado tem razão. Mesmo com a mudança na legislação eleitoral, que proibiu o financiamento privado de campanhas, sempre se encontra um “jeitinho” para conseguir que o aliado de determinado grupo econômico consiga se sobressair em um processo eleitoral, garantindo a permanência dos benefícios desse grupo.
Em Vitória, por exemplo, é difícil acreditar que a Vale vai mesmo ficar de fora do processo, que não vai conseguir mecanismos para garantir a vitória de candidatos que não incomodem a poluidora. A poluição ambiental e um tabu na cidade e mesmo sem os recursos da empresa, os candidatos aliados da empresa vão continuar deixando esse debate de lado.
Além disso, a legislação por si só não deve evitar uma prática que já existe no modelo de financiamento privado e, acreditam alguns especialistas, deve se aprofundar com o financiamento público o caixa dois. Não vai ser fácil, mas tem como. É só encontrar os CPFs certos paras as quantias conseguidas por baixo dos panos.
Caberá, neste caso à Justiça Eleitoral e ao Ministério Público atenção redobrada no processo. Com os recursos dos partidos escassos e com uma série de regras, o dinheiro oficial não vai jorrar nos palanques. Neste sentido, vai ser fácil identificar as campanhas que estão destoando desse perfil mais “pé no chão” que se espera nesta eleição.

