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Sexta, 23 Outubro 2020

Senhor do engano

O que pode ser considerado surpreendente na reunião dita ministerial do dia 22 de abril, divulgada sexta-feira passada, é a confissão de Jair Bolsonaro de que pretende armar a população e as ameaças dos ministros da Educação, Abraham Weintraub, e das Mulheres, Damares Alves, aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e aos governadores e prefeitos. O vídeo, parte das investigações das denúncias de Sergio Moro, feitas depois de pular do barco que faz água por vários lados, mas que ele ajudou a construir, revela que todos cometeram crime.

O restante do encontro transcorreu na normalidade, se visto sob a ótica da postura vergonhosa do líder do grupo nesse ano e meio de governo, que está mais para a descompostura de uma facção. Tanto é assim que nada mais apropriado para justificar essa afirmativa do que uma frase postada em rede social por um dos fanáticos apoiadores do presidente: "Não vi nada de anormal, o homem fala como homem", escreveu em resposta a um crítico à falta de decoro e de educação das chamadas autoridades.

Esperar o quê de um bando desconectado com a realidade, alheio às mortes provocadas pela pandemia do coronavírus? "É hora de passar a boiada", disse Ricardo Salles, dito ministro do Meio Ambiente, jogando todas as fichas na "oportunidade" que a pandemia com seus milhares de vítimas oferece para afrouxar as regras e permitir o desmatamento da Mata Atlântica e da Amazônia e desregulamentar as áreas de preservação, incluindo aldeias indígenas.

Sem dúvida, um reforço relevante à fala do Abraham Weintraub, também dito ministro da Educação, descrito pelo escritor Ignácio de Loyola Brandão como o "ministro da educação sem educação, grosso, horrendo, nojento", no que eu concordo plenamente. Entre seus impropérios, o tal ministro disse: "Por mim, mandaria prender esses vagabundos, começando pelo STF [Supremo Tribunal Federal]".

A frase teria que ser repudiada, como foi posteriormente e ainda repercute negativamente nas esferas democráticas do País e do exterior, mas, naquele momento, contribuiu para tornar o clima ainda mais prazeroso, em meio a palavrões dignos de botequins de quinta categoria, vomitados sem qualquer cerimônia pelo líder, o ex-capitão que lidera o desmonte do Brasil e tenta formar um bando de milicianos em seu entorno.

"Um conversa de malandros de esquina", nas palavras do prefeito de Manaus, ex-deputado federal Arthur Virgílio (PSDB), xingado juntamente com o governador de São Paulo, João Dória (PSDB), e do Rio, Wilson Witzel (PSC), e ainda ameaçado de processo e prisão nas palavras ásperas da dita ministra das Mulheres, Damares Alves, pastora "terrivelmente evangélica" e uma das mais aguerridas defensoras do chefe, muito bem à vontade no cenário que em nada lembra uma igreja.

Neste espaço não caberia a quantidade de destemperos comandados pelo ex-capitão, que nesse domingo (24) participou de mais uma manifestação do seu público, amontoado em frente ao Palácio do Planalto e ainda em êxtase pelo desempenho do "Mito", a estimular a desobediência civil e a violência, entre outros atos delituosos. Cumpre o que disse em passado recente, que foi treinado não para curar, mas para matar. A insensibilidade diante da tragédia causada pela pandemia do coronavírus confirma a frase, que segue numa espiral que faz surgir a pergunta: até quando?.

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