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Sábado, 24 Outubro 2020

Seu Garibaldi

 

Acreditem, já houve um tempo em que o grande barato em Vila Velha era ir ao cinema Dom Marcos, que existiu, de fato, e ficava bem em frente à pracinha da prefeitura. Hoje nem a prefeitura está mais lá. A grande curtição da garotada era ir lá se divertir com o Seu Garibaldi, o senhor que tomava conta do cinema, e também com o Almir, o Baleiro.
 
Os filmes não tinham nenhum atrativo, quando chegavam no Dom Marcos já estavam velhos e ultrapassados. No Dia de Finados era “A Vida de Cristo”, em preto e branco e mudo; um pouco mais rápido que uma projeção de slides. Mas com certa frequência era exibido o King Kong, não aquele do Peter Jackson de 2005, nem o do John Guillermin, de 1976, mas o original, que deu início a toda essa história em nosso imaginário. Dirigido por Merian Cooper e Ernest Schoedsack, com pouquíssimos recursos de efeitos especiais, se comparados com aos filmes de hoje.
 
Inspirado por obras literárias como “O Mundo Perdido”, de Arthur Conan Doyle, de 1912, e “A Terra que o Tempo Esqueceu”, de Edgar Rice Burroughs, King Kong entrou definitivamente na nossa psique, ou sempre esteve lá por algum motivo. As artes plásticas também ajudaram a criar o mito, como a obra do francês Emmanuesl Fremiet, de 1887, “O Gorila carregando uma fêmea”, que mostrava o macacão raptando uma mulher.
 
Também na fotografia o gorila gigante mostrou sua carranca, justamente em um momento em que a fotografia buscava uma nova direção estética para a já cansada “Straight Photograph”, de Afred Stiegltz. Os fotógrafos passaram a buscar manipulações, através da física, da química, e tudo mais que pudesse levá-los a criar suas imagens com a maior liberdade possível.
 
Em 1936, o fotógrafo William Mortensen criava sua imagem “O Amor”, em preto e branco, com uma cena em que um gorila, com um cassetete na mão, caçava uma bela mulher seminua deitada no chão. A imagem de Mortensen é uma montagem fotográfica em que ele busca transmitir uma ideia de luxúria e malícia, levando o público a um mundo de fantasia onde o real e o imaginário caminham juntos.
 
William Mortensen (1897 -1965) se opôs à filosofia e à técnica do movimento Straight Photography. Trabalhando intensamente de 1923 a 1960. Mortensen publicou o livro Madonas e Monstros, com 20 fotografias ampliadas que podiam ser retiradas do livro e emolduradas.
 
A imagem da semana é “Water Fountains”, do fotógrafo americano Elliott Erwitt, que com apenas um clique capturou todo o problema da segregação racial em que vivia seu país durante os anos 50.




Glauco Frizzera é fotógrafo, com mestrado em Fotografia pela Barry University. Mestrando em Business and Administration, e vencedor do prestigiado premio Photoshop Guru Award. Visite o site www.glaucofrizzera.com. Para entrar em contato com a coluna, envie email para: [email protected]

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