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Silêncio ensurdecedor

Há um incômodo silêncio da classe política capixaba sobre os rumos do movimento das ruas. Acuado, o mercado político busca uma forma de tentar evitar desgastes. No Estado, o foco das insatisfações virou a Terceira Ponte. Por mais que haja esse discurso terrorista de combate ao vandalismo, a população apoia o fim do pedágio. 
 
Esse é o tipo de bandeira que a população não vai ser contra. Daí a preocupação dos deputados em buscar alguém que não é da Grande Vitória para relatar e se prevalecer do prazo regimental do projeto de decreto legislativo, justamente para evitar que um deputado da região metropolitana tenha de dar explicações na hora de pedir votos.
 
A sensação é de que há um compasso de espera das lideranças. A reação do movimento das ruas no início das movimentações de evitar a partidarização dos protestos deixou claro que qualquer declaração não pensada pode se voltar contra as lideranças. Quem tentar se apropriar do discurso das ruas pode ficar falando sozinho. 
 
O momento político não está sendo entendido pelas lideranças políticas e quando não se entende algo é melhor ficar quieto do que falar o que não deve. Euclério Sampaio (PDT) levantou a bola para o lado dos manifestantes e irritou toda a classe política. 
 
O projeto dele, aliado a uma série de irresponsabilidades do Executivo e do Legislativo, levarou a um impasse na Casa. Euclério soube encampar o discurso das ruas, mas talvez nem ele soubesse o desfecho de ter colocado esses dois jeitos de se fazer política: o da rua e o tradicional em choque.  
 
Os deputados estão diante de um impasse: ou apoiam o projeto de Euclério e acabam legitimando o capital político do deputado que sempre foi indesejado no plenário, mas acalmam as vozes das ruas, ou mantém a parceria com o governo do Estado. 
 
O problema é que, desgastado, o Palácio Anchieta pode não conseguir garantir o sucesso da parceria com os parlamentares em 2014. Já ir contra as vozes das ruas pode ser uma escolha fatal. Por isso, a classe política hoje e só ouvidos. Mas, talvez esteja ouvindo apenas ruídos. 
 
 
Fragmentos:
 
1 – Tem deputado achando que Euclério Sampaio está jogando para a plateia. Pode ser, mas se o clamor das ruas não fosse verbalizado por ele, seria verbalizado de alguma outra forma.
 
2 – Gustavo De Biase não é caroneiro da ocupação da Assembleia que acontece esta semana. Ele faz parte desse movimento desde 2011, quando participou das negociações do passe livre para os estudantes. 
 
3 – O prédio da Assembleia Legislativa está em um estado de conservação tão deplorável que vai ser difícil saber o que foi ato de vandalismo e o que já estava quebrado.

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