Faz quase 20 meses ou 600 dias que Valdenir Belinelo foi misteriosamente assassinado a facadas. O crime aconteceu no dia 21 de março do ano passado, no distrito de Rio Quartel, próximo a Linhares, norte do Estado. À época, o professor da Ufes dirigia o Hospital Roberto Silvares, em São Mateus.
Familiares e amigos do professor, assim como a população de São Mateus, considerando a grande repercussão do crime, esperavam que a polícia, algumas semanas após o crime, apontasse os suspeitos e desvendasse as circunstâncias da morte de Belinelo.
Nada disso ocorreu. Com a justificativa que as investigações correm em sigilo, o delegado do caso, Fabrício Lucindo Lima, não revelou sequer qual a linha de investigação que a polícia vem seguindo para elucidar o crime.
O mais curioso é que horas depois do crime, o delegado Lucindo “soltou” algumas informações, talvez antes de ser alertado de que deveria se manter calado. À Rádio CBN Vitória, no dia 22 de março de 2012, portanto, no dia seguinte ao assassinato, Lucindo afirmou que a polícia trabalhava com duas hipóteses: crime passional ou de mando.
Sobre a primeira linha de investigação, o delegado deu poucos detalhes. Entretanto, correu um boato que o professor seria homossexual, o que explicaria a passionalidade do crime.
O delegado foi categórico ao afirmar que o professor conhecia o autor do crime. O que ajudou, de certa maneira, a reforçar a tese de crime passional.
Infelizmente, o preconceito social faz a opinião pública inconscientemente “julgar” que o professor procurou “sarna para se coçar”, e encontrou. A tese serve também para diminuir a pressão da opinião pública sobre a polícia, que tinha um crime de repercussão para investigar e precisava dar uma resposta à sociedade, imprensa, amigo e familiares.
Ainda no calor das primeiras declarações, o delegado Lucindo admitiu que a tese de mando estaria relacionada às atividades do professor na direção do Roberto Silvares. Belinelo estaria investigando irregularidades no hospital.
Mas ficou nisso. O delegado disse há 20 meses que não poderia dar mais detalhes para não atrapalhar as investigações.
Hoje não se sabe se as investigações ainda estão em curso, se o delegado ouviu outras testemunhas, se a tese definida pela polícia classifica o crime como mando ou passional, entre outras tantas incógnitas que o delegado mantém escondidas sob o mando do sigilo.
Independente das informações da polícia, o que se sabe é que muita gente permanece indignada com a demora para a solução do crime. Por que um crime de grande repercussão continua sendo cozinhado em banho-maria. Estaria a polícia querendo esconder algo ou proteger alguém?
O delegado gostando ou não, dá margem para esse tipo de especulação. Se Lucindo não quer que o crime vire “conversa de botequim”, ele que se manifeste e revele a quantas anda o caso. Familiares, amigos e todos aqueles que permanecem com a pulga atrás da orelha têm direito de saber quais foram as motivações e que são os responsáveis pela morte do professor. Será que a polícia vai esclarecer o mistério ou o crime entrará para a pilha de inquéritos de homicídios inconclusos que conferem ao Espírito Santo um dos piores índices de resolução de crimes

