A ideia do sindicato é de que as categorias possam ter uma representação dos trabalhadores na mesa de negociação com as empresas e o Poder Público. Essa representação, porém, deve ter a participação e a aprovação dos trabalhadores. Cada pauta deve ser debatida e as decisões devem ser tomadas de forma mais democrática possível. Mas não é bem isso que se vê na dinâmica dos sindicatos ultimamente.
E a Central Única dos Trabalhadores (CUT), que deveria cuidar para que a democracia fosse sempre garantida, essa democracia parece fazer cada vez mais vista grossa para todas as formas de burla à democracia nos movimentos sindicais.
O que se vê hoje em dia são decisões unilaterais tomadas em negociações de empresários e dirigentes sindicais, sem que se considere o debate com a categoria sobre o melhor caminho de se levar as negociações. Tá faltando democracia onde ela deveria ter seu fortalecimento.
Foi justamente esse comportamento dos dirigentes sindicais e esse faz de conta da CUT que levou a classe trabalhadora a essa posição extremamente desfavorável que se encontra hoje, com um governo empenhado em facilitar o caminho para a perda de garantias da classe política. O governo facilita e o capital nada de braçada. A omissão e a falta de compromisso dos sindicatos, nesse sentido, transformam o movimento em mais direita que a própria direita.
Foi por causa dessa omissão, que a direita tem tomado o comando do País e achatado ainda mais a classe trabalhadora. Isso tem muita relação com o processo eleitoral e a crise de representatividade do trabalhador brasileiro. Sem a ampliação do debate democrático desde a menor das associações, dificilmente, a classe trabalhadora vai conseguir virar o jogo e conseguir uma representatividade na política institucional.
Por isso, a Central precisa começar do zero, reiniciando o processo de construção política-democrática dentro dos movimentos sociais. A criação de conselhos com a participação dos trabalhadores, que tenham punho para consertar a casa. E não só nos ambientes sindicais, mas em toda a sociedade, como foi proposto no governo Dilma Rousseff e o Congresso não aceitou.
Ou a própria sociedade força o caminho para uma democracia, ou vai viver à mercê das decisões monocráticas, que quase nunca guardam alguma identidade com as necessidades da população.
União, já!

