As empresas criaram um sistema em que vários sindicatos participam delas. Levando em consideração a Vale, por exemplo, você tem várias entidades trabalhando. São os Metalúrgicos, Construção Civil e Sindicato de Limpeza e Conservação. Enquanto o patronato se uniu, os sindicatos dispersaram o trabalhador, dividindo as categorias.
Na última sexta-feira (24) foi fechado um acordo dentro da empresa, oferecendo 2% aos trabalhadores, o que não chega nem à metade da inflação no período. Isso se deve um pouco a essa divisão dos trabalhadores, o que impede que haja uma pauta comum, que se concentre uma bandeira de luta e assim, enfraquece o movimento.
Chegou ao ponto de um alguns dirigentes colocarem a proposta como terminativa. Ou aceitava-se os 2% oferecidos pela empresa ou poderia se perder tudo o que tinha. Como pode isso? Quem tem que decidir sobre acordo coletivo são os trabalhadores, não se pode colocar a faca no pescoço das categorias assim. O problema é que não há a orientação do sindicato, que tem deixado a coisa correr sem se posicionar.
Considerando que os metalúrgicos, estão discutindo desde o início de novembro, uma convenção coletiva, que é algo inédito no Estado, mas isso está sendo feito de forma fragmentada, sem unir a categoria para uma deliberação pesada que tenha a força da aprovação de todos os trabalhadores em conjunto.
A fragilidade dos sindicatos é tão grande, que os boletins de informativos estão apenas relatando os prejuízos que a Reforma Trabalhista tem trazido aos trabalhadores. Eles não trazem propostas de enfrentamento dessa crise, para orientar e unir o trabalhador para lutar contra isso.
Isso acontece porque por mais de uma década, durante o governo do PT, os sindicatos se acomodaram. Confiantes de que não haveria retrocesso nas garantias sindicais. Não contavam com um golpe, que destruiu tudo que foi construído ao longo da história do Movimento Sindical. Agora, mais preocupados com o fim do imposto sindical, que tira a força dos sindicatos, do que com o descompasso em que ajudaram a construir saindo das ruas e abandonando as bandeiras de luta.
Agora o peso dessa omissão começa a ser sentido pelo trabalhador. O sindicato agora está diante de um desafio. Deve retomar seu poder de mobilização e chamar os trabalhadores para a luta.
É agora ou nunca!

