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Sinuca de bico

Deve ter deputado se perguntando até agora por que Gilsinho Lopes (PR) cismou de inventar uma CPI para apurar o escândalo do “Posto Fiscal Fantasma” de Mimoso do Sul. Afinal, descobrir o paradeiro dos R$ 25 milhões “gastos” numa obra que não chegou a sair da fase de terraplanagem é o mesmo que cutucar o ex-governador Paulo Hartung com vara curta – e os deputados conhecem muito bem a “fera”, principalmente os remanescentes de seu governo.

 
De outro lado, se opor à abertura da CPI pode representar um grande risco para reeleição de alguns deputados, ainda mais se a investigação avançar e comprometer ainda mais Hartung e Cia. Os que se negaram a apoiar a CPI seriam acusados de omissão. 
 
Conclusão, boa parte dos deputados está entre a cruz e a espada ou na chamada sinuca de bico. Nas conversas de bastidores, em tese, a maioria admite que o posto fiscal é um escândalo clássico, que merece ser apurado. Na prática, porém, muitos admitem temer o ex-governador que, mesmo na planície, ainda teria muita força para punir os deputados que ousarem desafiá-lo.
 
O republicano Gilsinho Lopes e o pedetista Euclério Sampaio – que esteve in loco para conferir que não havia nada no local – são os únicos até agora que se puseram publicamente ao lado dos interesses do povo e mostraram coragem para enfrentar a “fera”. Gilsinho, que puxa a CPI, diz que há pelo menos mais três ou quatro colegas que estariam propensos a assinar o pedido. Mas até agora, tirando Gilsinho e Euclério, ninguém se manifestou publicamente a favor da CPI. 
 
Há também os que tentam convencer os colegas que não assinam por medo de Paulo Hartung, mas por recomendação do governador. Os recados que vêm do Palácio Anchieta deixaram bem claro aos parlamentares que Casagrande não tem nenhum interesse de conviver com uma CPI no ano que antecede as eleições. 
 
Ele inclusive teria comentado: “CPI a gente sabe como começa, mas sabe não como termina”. A frase revela o posicionamento do governador. Mostra que ele não quer mexer com Hartung e seus aliados, talvez já imaginado que quando a terra do posto começar a ser revolvida, muitos esqueletos do antecessor poderão vir à tona. Isso não seria nada bom para quem apostou no governo da continuidade e endossou as ações que vieram no espólio do governo anterior, inclusive as “bombas”. 
 
É oportuno também recuperar as declarações do ex-governador logo após a eclosão do escândalo, que classificou a denúncia do promotor Dilton Depes como uma “covardia” – entendimento corroborado por Casagrande. 
 
Essa demonstração de solidariedade do governador ao antecessor deixa claro o tamanho da encrenca que os dois solitários deputados estão se metendo. Se a abertura de uma CPI para apurar escândalos no governo Hartung já era algo improvável – considerando o perfil subserviente e corporativista da Casa -, a entrada de Casagrande no circuito torna o processo de incubação da CPI ainda mais improvável. 
 
Só mesmo um milagre para fazer essa CPI vingar. 

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