A tão decantada unanimidade, que garantiu Paulo Hartung no seu segundo mandato, emplacou Renato Casagrande no governo e é cogitada a reelegê-lo, é um aglomerado multifacetado inventado pelo ex-governador.
Dentro dele, junto a um elenco de políticos, encontram-se o poder econômico, a imprensa corporativa, somado a uma parte extremamente influente do judiciário e no comando do ministério Público.
Interligaram-se de tal maneira que o sistema anda pelas próprias pernas. Conseguir adentrá-lo é como adentrar a um reino onde tudo é possível. Seus integrantes são extremamente imunes. Empresário que está nele ficou mais rico e inatingível.
Na política, só sobrevive quem o sistema quer. No ajuste das pedras conseguiram criar um manto protetor que criminaliza quem se confronta com o sistema. Negligência com as falcatruas quando se trata de seus integrantes. Com gestões públicas, a exemplo do que ocorreu com os dois períodos do governo de Paulo Hartung, esconde-se tudo.
A edição de fim de semana de Século Diário tem uma entrevista do coronel da reserva da PM, Luiz Sérgio Aurich, mostrando o caos que o governador Paulo Hartung deixou a segurança no Espírito Santo. O idílio que a unanimidade estabeleceu com a imprensa corporativa não só escondeu a segurança, como outras áreas do governo, como a corrupção na saúde.
Os arranjos à continuidade da unanimidade estão aí mesmo e tem hoje como necessidade a integração do governador Renato Casagrande. Enquanto for para mantê-lo governador, com mais uma eleição, a impressão que se tem é de que ele não vai se incomodar, até porque é a sua meta política.
Além das condições lhes serem extremamente favoráveis, já que ele conduz a unanimidade, principalmente na área política, com viabilidade de integrar forças que estão fora do processo. É um método mais suave, mas, que, entretanto, zela pela vida da unanimidade. Poderá valer sua reeleição, mas difícil será negar que ela será conquistada por métodos aparentados ao totalitarismo.

