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Só desgaste

Aos poucos observa-se que a Assembleia Legislativa não aceita mesmo se fortalecer como um poder independente e forte no Espírito Santo. Parece ter se acostumado ao raquitismo que tomou conta do Poder diante de um Executivo cada vez mais absoluto. Seja por comodismo, acordos individuais ou falta de capacidade política mesmo, os deputados aceitam serem dominados pelo Executivo. 
 
É que uma coisa depende da outra. Para que o Palácio Anchieta seja forte, é preciso que o Palácio Domingos Martins, que abriga a Assembleia Legislativa, seja fraco. Se um ou dois deputados fazendo questionamentos pontuais já incomodam, e muito, o governador Paulo Hartung (PMDB), imagina uma maioria questionando as ações nada simpáticas à população que vêm do Executivo. Seria um caos. 
 
Favorece o trabalho de desidratação do Legislativo a falta de confiança da população na classe política, a falta de conhecimento do eleitor sobre as prerrogativas e obrigações de cada instância de poder, e o peso na tinta da mídia corporativa. 
 
Após a ascensão de Paulo Hartung ao governo do Estado, em 2003, com o discurso do combate ao crime organizado, o enfraquecimento do Poder Legislativo foi visível. A Casa passou oito anos com essa sobra, que colocou os deputados estaduais em um rígido controle do governo. 
 
Nada era aprovado ou rejeitado na Assembleia sem a benção do governador. Situação que não se alterou com a chegada de Renato Casagrande (PSB) ao Palácio Anchieta, mas que se intensifica com o retorno de Hartung. A situação está começando a ficar ruim para os deputados, diante da sequência de desgastes
 
Aqui vão alguns: aprovação do Escola Viva, sem discussão; aprovação do Plano Estadual de Educação, sem discussão; aprovação da PEC que desobriga o governo a publicar os incentivos fiscais; irritação e represália com a formação de blocão para escolher um nome independente para a eleição da Assembleia; quebra de acordo para indicação de Sandro Locutor (Pros) para a Corregedoria da Casa; fim das audiências para a discussão do Orçamento do Estado; tentativa de mudar o relatório da CPI dos Empenhos para incriminar o desafeto do governador, e por aí vai.

E olha que não chegamos nem à metade da legislatura. 

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