Desde 2006, quando disputou a reeleição ao governo do Estado, Paulo Hartung (PMDB) vem vendendo a ideia de que quer investir em educação. Mas entre o que ele diz e o que se observa nessa área parece existir um abismo intransponível. Seja na estrutura, seja na qualidade do ensino, o governo, que tem uma visão muito clara de Estado Mínimo, não consegue dar respostas na educação pública, simplesmente porque não se interessa por essas questões.
A denúncia feita pelo deputado Sérgio Majeski (PSDB), da não aplicação dos 25% na Educação no Estado já era um assunto que se comentava nos bastidores, mas sem que ninguém colocasse isso publicamente, porque é necessário se debruçar no confuso site da transparência e colocar uma lupa sobre os números para perceber que investimento em educação não é o forte do governo.
A desculpa está sempre na ponta da língua: “A crise…”. Até quando essa vai ser a justificativa para que o governo deixe de fazer os investimentos nas áreas prioritárias? Se há tanta crise assim, por que manter e aumentar os incentivos fiscais para grandes empresas, algumas que se recolhem ICMS para o Estado? Por que contratar uma agência de publicidade, uma das mais caras do Brasil, para vender a imagem do Estado no País? Não está tudo saneado? O governo não “ajeitou a casa” depois de encontrar um cenário de cofre vazio deixado pelo antecessor? Não é esse o discurso palaciano?
Todas essas questões nos levam a duas opções de respostas: Ou não está tudo tão arrumado assim, ou não há interesse em investir em educação pública no Espírito Santo. O governador Paulo Hartung chegou ao seu terceiro mandato vendendo a ideia de que um modelo de escola salvaria a educação do Estado.
Mas o tal modelo, o Escola Viva, só serviu para mostrar o quando o governo desconhece a realidade dos estudantes do Espírito Santo. Mostrou que o projeto só tinha o interesse mesmo de firmar uma parceria para atender um grupo empresarial do Estado e uma instituição para gerir o programa. Instituição, aliás, contratada sem licitação, sem nada e vai administrar uma rede de escolas públicas no Estado.

