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Só no econômico

Que o movimento sindical tem se desidratado cada vez mais por causa da falta de engajamento com as lutas populares, isso é um fato. Mais que os problemas que afligem a sociedade, o movimento se concentra apenas na questão salarial para promover as articulações com a classe empresarial. 
 
É só observar quem são as categorias mais fortes e com ações mais engajadas: bancários e petroleiros. Sem tentar diminuir o direito de reivindicação de nenhuma categoria, os problemas nessas áreas são muito maiores do que a questão salarial. As duas atividades afetam diretamente a vida do cidadão comum. 
 
Mas esses problemas não entram na pauta de reivindicação. Não geram mobilização. Não se vê movimentação contra os altos juros praticados pelas instituições financeiras, também não se vê grandes protestos por causa do preço final da gasolina ou do gás de cozinha. As categorias se voltam para suas questões internas e esquecem que os setores que atuam influem no dia a dia do brasileiro. 
 
Isso não é exclusividade de uma ou outra categoria. O que falta é um direcionamento, papel que as centrais deixaram de exercer há algum tempo. As categorias têm culpa nisso. Com a necessidade de se manterem fortes, mandam seus quadros menos expressivos para compor a direção das centrais. Aí o sindicato continua mandando e não tem força suficiente na central para colocar o movimento no prumo. 
 
Nesse contexto ficam para trás as principais lutas do movimento sindical. A reforma política, a reforma previdenciária, a reforma da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Tudo isso porque ficou para trás também outra prerrogativa do movimento, a formação política e a militância de esquerda. Culpa dos diretores de sindicatos, que transformaram as entidades em pequenos feudos em que se perpetuam nos mandatos, olhando seus próprios interesses.
 
Enquanto isso, a população vai às ruas sem saber exatamente por que motivo. Perdeu o elo com seus fóruns representativos, não sabe a quem recorrer e, por isso mesmo, não consegue pressionar o governo e o Congresso a fazer as mudanças necessárias para a sociedade. 
 
Menos econômico, mais social. 

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