Em entrevista ao jornal A Tribuna nesse sábado (5), o governador Paulo Hartung (PMDB) fala na possibilidade de ter até seis lideranças em condições de sucedê-lo em 2018, com destaque para os tucanos César Colnago, seu vice, e o senador Ricardo Ferraço. Com isso, ele tenta passar a ideia de que ele será o grande eleitor na disputa estadual, além de tirar Colnago da zona de conforto.
Quando foi eleito, Hartung disseminou aos quatro ventos que seria governador por quatro anos e depois passaria o bastão ao seu vice. Agora, faltando dois anos para o pleito, Hartung dá a entender que está recebendo currículos. Mas será mesmo que terá todo esse poder de foco para eleger quem quiser até lá?
E Ricardo Ferraço vai novamente morder a isca e se transformar em balão de ensaio para Hartung testar seu prestígio político até 2018? Diz o dito popular que cachorro mordido por cobra tem medo até de linguiça. Depois de ter sido tirado de escanteio em 2010, o senador tem uma complicada disputa pela reeleição daqui a dois anos. A possibilidade de vir a ser candidato ao governo ajuda a bagunçar ainda mais seus planos.
Dentro do PSDB, a senha número um para a disputa ao governo é de Colnago. Ele é o vice de Hartung e se o governador se desincompatibilizar do cargo, se torna governador disputando a reeleição. Os sinais que Hartung dá até aqui é de que seu caminho é a política nacional, mas tudo vai depender de como as movimentações acontecem em Brasília.
Ele é do PMDB, partido de Temer, e vem sendo cotado pela imprensa nacional – graças a uma boa estratégia de comunicação que vem desempenhando –, por isso, o momento é de muita observação sobre o campo político de 2018.
Na entrevista, Hartung manda um recado para os meios políticos de que embora esteja se movimentando para fora do Estado, quer ter controle nas articulações locais. Faz com que os aliados tentem se aproximar mais, tentando entrar nesta nova fila sucessória, e busca rearticular o arranjo político em torno de uma única liderança política, ele mesmo. Será que cola?
Fragmentos:
1 – Em Vitória, o PSD do ex-prefeito Neucimar Fraga estava coligado com o SD de Amaro Neto, mas diferentemente de outros municípios da Grande Vitória, o candidato não quis levar o deputado estadual para seu palanque em Vila Velha.
2 – Amaro fortaleceu o palanque dos aliados na Serra, Sergio Vdigial (PDT); e em Cariacica, Marcelo Santos (PMDB), e ajudou muito nas campanhas do primeiro turno. Só não deu para voltar no segundo turno, já que ele estava correndo atrás na disputa na Capital contra o prefeito Luciano Rezende (PPS).
3 – A coluna tem a impressão que há uma tentativa de diminuir o capital político do deputado, apontando Amaro Neto apenas como candidato à reeleição para a Assembleia. Ele pode pensar em voos bem mais altos, afinal, saiu com uma votação maiúscula em Vitória.

