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Soou o gongo

O chefe do Ministério Público Estadual (MPE), procurador Eder Pontes, partiu para cima do governador Paulo Hartung (PMDB) logo após ele ter condenado o Judiciário, o Ministério Público e a Amages por conta do auxílio moradia, dizendo que não havia ninguém acima dos dois Poderes. 
Uma porrada e tanto. Dessas de chamar para briga que eu acredito que o governador não vai topar, como também acredito que o governador não esperava essa reação do Pontes, sobretudo depois daquela foto dos dois  sorridentes dentro de um carro imediatamente após o arranca-rabo entre ambos devido à criação  de 216 cargos em comissão no Ministério Público.
A atitude de Pontes deve ser entendida como sendo também a do Judiciário. Diferentemente de Pontes, desembargadores apenas se lamuriam. Afinal, foram eles que, durante os dois primeiros mandatos de Hartung, sustentaram o projeto de poder dele, criminalizando quem o governador queria e inocentando quem privasse da sua proteção. Foram os anos em que a unanimidade que deu sustentação aos seus mandatos construiu-se sob a égide do crime organizado.  Muitos apanharam na Justiça e no Ministério Público sob a batuta de PH, que trafegava nesse ambiente como um trem da mentira em alta velocidade. Como também outros escaparam das garras da Justiça e do MPE por causa da indiscutível influência de PH. 
Só que mudou a Geni, aquela da música do Chico Buarque.
A Geni agora são eles com os seus penduricalhos que produziram enorme repulsa na população. Para quem como PH, que elegeu-se no interior e perdeu na Grande Vitória (onde repercutiram as denúncias  do uso que fez dos seus governos em  proveito próprio, safando-se de penalização judicial pela relação institucional com o Judiciário), o momento político é outro.
É o momento da busca de recuperação de imagem em consonância com a rua. Pois ele sabe melhor de que todos nós que não há mais as mínimas condições de tocar seu projeto de poder – aquele em que ele decidia as eleições dentro do seu gabinete. Agora é na rua, e com o seu senso de oportunismo, atribuiu-se a missão de combater os penduricalhos do Judiciário (leia-se: auxílio-moradia a membros do Judiciário e do Ministério Público).
Após um período tão longo de submissão do Judiciário e do MP, ele não esperava essa reação do Pontes. Quebrou a cara. O histórico do Pontes é a de um boxer de punhos pesados que não costuma seguir regras. Com ele vale inclusive ataques abaixo da linha da cintura. Basta lembrar seus enfrentamentos com o desembargador Pedro Feu Rosa e Século Diário.
Para Pontes, vale tudo. Agora, PH está diante de um adversário que sabe jogar o jogo pesado que ele próprio joga.      
         
 
    

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