O movimento de ruas de junho e julho de 2013 chamou a atenção da classe política para a necessidade de se inserir no meio digital, sobretudo nas redes sociais, e se atentar para os equipamentos moderninhos pelos quais esses meios circulam. Aí veio a minirreforma e a ideia de controlar o conteúdo para evitar ataques às honras dos candidatos. Mas será que a classe política tem noção do verdadeiro perigo que se esconde na internet?
Mais de 100 milhões de brasileiro têm acesso à internet, mas a maioria das pessoas não sabe que esse acesso é apenas na chamada superfície. Assim como na vida real, a internet também tem seu submundo, a chamada Deep Web.
A existência desse outro lado começou a ser conhecida depois que o FBI fechou um site que movimentava mais de US$ 22 milhões por ano em drogas e armas, o Silk Road. Um mercado que até se apropriou de uma “moeda virtual”, o Bitcoin.
A Deep Web é o nome utilizado para todos os sites que não são indexados pelos mecanismos de busca padrão, como o Google. Sem controle, com difícil localização, esse submundo deve ser uma preocupação para os marqueteiros de plantão.
Afinal, não basta se preparar para o que está visível, é preciso cuidado, pois tem gente que joga sujo, com uma disseminação de dossiês e contratação de hackers para invasões de sites. Tudo pode ser contratado, e no anonimato, daí o perigo.
A falta de controle nessa região inexplorada da internet é o verdadeiro risco não só para a reputação dos candidatos, mas para a segurança da eleição como um todo.
Até porque, o sistema de votação brasileiro não é manual. É moderno e rápido, mas ao longo dos anos não faltaram dúvidas sobre sua eficiência. Tanto que muitos países se interessam, mas nenhum adota a tecnologia brasileira.
Para o Espírito Santo, que ainda engatinha no uso da internet, principalmente a classe política, essa discussão pode ser uma conversa distante, mas nem todo mundo é bom e gosta de ficar na superfície. Em se tratando da classe política capixaba, todo cuidado é pouco.

