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Quinta, 29 Outubro 2020

Sugestão Netflix: Padman

Quando vi este filme no catálogo na Netflix, imaginei imediatamente que se tratava de outra produção do diretor Shree Narayan Singh, dada a semelhança com Toilet. Não sei quem copiou quem, mas a verdade é que R Balki, diretor de Padman, faz críticas parecidas às do compatriota, nomeadamente às tradições. 


Lakhsimi é um engenhoso e observador mecânico, pobre e honesto. Um dia ele percebe que sua esposa Gayatri está estranha e, por algum motivo, se recusa a contar-lhe seus problemas. Aparentemente, o mundo de homens e mulheres é bastante separado na Índia, ao menos para nossos padrões brasileiros. O que aqui não passa de mera banalidade, é tabu para eles.


Lakhsime começa a perceber que sua esposa passa muito tempo sentada na varanda sem quase se mexer, ela tenta esconder um pano velho, tão sujo quanto um pano de chão e Lakhsime se surpreende porque para ela e para a maioria das mulheres da Índia, aquele trapo serve como absorvente. Ele vai indignado até a farmácia local para comprar absorventes reais, mas Gayatri recusa o presente achando caro demais para os padrões da vila. 


Após tentar devolver o produto e não conseguir o dinheiro de volta, Lakhsime volta à oficina mecânica exatamente na hora em que um funcionário se acidenta. Ele usa o absorvente para conter a hemorragia e, chegando no hospital, o médico explica didaticamente que atar o braço em panos sujos pode trazer consequências muito mais graves e que usar o absorvente foi uma ótima ideia. O médico também diz que a situação das mulheres na Índia que não cuidam da higiene pessoal é parecida, as doenças são comuns no país.


Lakhsime sai da clínica decidido a mudar e produzir absorventes sozinho, muito mais baratos que os pobres podem pagar. Após passar por vários constrangimentos ao tentar oferecer seus produtos às mulheres da família e de oferecer absorventes, sem sucesso, em todos os lugares possíveis e imagináveis, o insistente Lakhsime consegue, depois de muito esforço, convencer uma estudante de Medicina. 


Mesmo com tanto afinco, a força da tradição pesou para que a invenção fosse rejeitada por todas, inclusive as meninas da faculdade de Medicina. Mesmo assim, o intrépido protagonista não desiste e, como não conseguiu nenhuma mulher que aceitasse usar o absorvente, ele mesmo faz o teste, usando uma bomba acoplada numa bexiga com sangue de boi dentro. O experimento falha no meio da rua, enquanto Lakhsime pedala.


Desesperado, ele se joga no rio e a população se apinha nas bordas para ver o homem seminu. Para infâmia maior ainda de sua mulher e da mãe que a acompanha, Lakhsime vai a júri popular por, segundo os mestres da lei local, infectar o rio e vender absorventes. 


Gayatri é levada para longe do marido e Lakhsimi vende sua parte na oficina para se dedicar inteiramente à produção de absorventes noutra parte. Desta vez, ele busca instrução para produzir absorventes decentes, mas, por não ter dinheiro para pagar uma faculdade, opta por um emprego de mordomo, na casa de um professor. 


Na verdade, o único que lhe dá atenção é o filho do professor, que o ajuda a dar seus primeiros passos no empreendimento. O sonhador Lakhsime não desiste. Depois de ter aprendido um pouco de inglês com o rebento do professor, ele pede demissão e começa a construir sua própria máquina de absorventes, por não ter dinheiro para comprar um modelo profissional. 


Para isso Lakhsime se endivida até o pescoço e, quando está para perder as esperanças e prestes a ser esfolado pelo credor, aparece surpreendentemente sua primeira e até o momento única cliente Pari, filha de um professor do instituto de tecnologia, que o convida para apresentar a invenção na competição nacional de inovação. 


Apesar de serem filmes de diretores diferentes, Padman repete algumas características de Toilet, a vila, a história baseada em fatos reais de um outsider. O protagonista sonhador e o tribunal popular remetem à produção anterior. A ideia, presente em ambos os filmes de usar o cinema de Bollywood para informar a população, a forma como apresenta, misturando humor e educação, não atrapalham a trama, que é leve como devem ser as boas comédias.


Estratégias parecidas foram usadas em outros filmes como: A Deusa Negra, de Ola Balogun, O homem Mau Dorme Bem, de Geraldo Moraes, Guelwaar, de Ousmane Sembene, e em boa parte dos filme do diretor nigeriano Tunde Kelani. É improvável que os filmes supracitados tenham atingido o público-alvo da mesma forma, já que seus diretores são pouco conhecidos, mesmo nos seus países de origem. 


O caso de Padman é completamente distinto, o cinema indiano pode, de fato, mudar o pensamento das pessoas, porque os filmes são assistidos por muita gente no mundo inteiro. A produção sofre com um dos problemas que, a meu ver, é o maior em produções de Bollywood, o excesso de informações. Em pouco mais de duas horas, assistimos a uma quantidade enorme de reviravoltas que normalmente não caberiam em um filme ocidental com a mesma duração.


Padman não se compara ao outro filme de Shree Narayan Singh, porque é piegas até os cumes do everest, assistam Toilet, é bem melhor.

 

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