A demora do senador Ricardo Ferraço (sem partido) em definir seu futuro partido está aumentando a curiosidade do mercado político. O destino seria mesmo o PSDB, mas há algumas conversas que estariam travando a definição da nova casa.
O tucanato nacional fala em liderança da oposição para o senador, o que parece ser verdade diante da irritação do vice-presidente Michel Temer com o governador Paulo Hartung, a quem culpa pela desfiliação de Ricardo Ferraço do PMDB.
Mas isso não parece suficiente para o parlamentar capixaba. O comentário é de ele quer também a presidência do ninho tucano do Espírito Santo. Faz sentido do ponto de vista protecionista. Depois de ter sido colocado de escanteio pelo governador Paulo Hartung, todo cuidado é pouco. Em 2018, Ricardo Ferraço deve disputar a reeleição e quer garantias para seu palanque.
Até porque o ninho tucano hoje também é área de influência de Hartung, por meio do vice-governador César Colnago. Mas daí a chegar mandando é outra coisa, afinal, o PSDB capixaba é cada vez menos Hartung e cada vez mais Max Filho. O deputado federal que tem a confiança do presidente nacional do partido, o senador Aécio Neves (MG).
Por mais que o cenário seja outro, é preciso lembrar as circunstancias em que Ricardo Ferraço foi convidado a se retirar do PSDB, logo depois da eleição de 2008. O ninho tucano tinha uma parceira com o PPS, quem diria, de apoiar a candidatura de Luciano Rezende na disputa eleitoral de Vitória e Ricardo Ferraço, à época, caminhou com o então prefeito João Coser (PT), a pedido de Hartung. O clima ficou ruim e Ricardo Ferraço migrou para o PMDB.
Por isso, mesmo que a direção seja outra, o momento seja outro, chegar querendo tomar o partido de assalto já é um pouco demais. A construção do futuro político de Ricardo Ferraço dentro do PSDB é promissora, mas tem que ser construída e não imposta. O senador pode estar querendo mais do que precisa e pode bancar com a nacional tucana.
Fragmentos:
1 – O Pó Preto parece mesmo ter entrado na pauta política de Vitória. Eduardo Gava, da executiva municipal do PSDB, e pré-candidato a vereador, divulgou vídeo nas redes sociais sobre o tema.
2 – Para os meios políticos de Vila Velha, o cavalo está passando selado e o deputado Hércules Silveira (PMDB) está perdendo a montaria por causa da lealdade a Hartung.
3 – O mais difícil, o deputado já conseguiu: o apoio de Max Filho (PSDB), já que a família Mauro é conhecida na cidade por não transigir nas articulações com as demais lideranças políticas canelas-verdes.

