Em nível nacional não há dúvidas de que o Brasil seguiu dividido nas últimas duas década entre tucanos e petistas, que se digladiam pelo controle do País. Essa rivalidade se repete nos estados e chegam às eleições estaduais e municipais, e no Espírito Santo não é diferente. Este ano os dois partidos vão ser cobrados a entrar no pleito caso o outro entre, para igualar as condições e ocupar espaço. Isso interessa às suas nacionais.
Mas o que chama a atenção no Estado, é que mesmo sendo tão diferentes em sua ideologia, as duas siglas guardam grandes semelhanças. O que o PSDB e o PT do Espírito Santo têm em comum? Hoje, pode se dizer que a divisão interna é bem clara nos dois ambientes. E tudo isso tem um ponto de convergência, a geopolítica de Paulo Hartung (PMDB).
O governador trabalha política de grupo, que não vê coloração partidária e ignora a dicotomia nacional e seus reflexos nos Estados. Eleito no palanque de Aécio Neves, ele abrigou em sua equipe também os petistas, com quem fez uma movimentação no período eleitoral também.
Hoje o PT entende que não há clima para permanecer na equipe do governador Paulo Hartung, exceto é, claro, as lideranças que estão no governo. O PSDB no mês passado barrou a tentativa do vice-governador César Colnago levar para o partido o líder e o vice-líder do governo na Assembleia, Gildevan Fernandes e Erick Musso, respectivamente oriundos do PV e do PP. Tiveram que se contentar com o congestionado PMDB.
A impressão que se tem é que as bases dos dois partidos mantêm sua postura ideológica e a disputa saudável da política, mas suas lideranças entendem apenas a cartilha do governador do Estado, o que prejudica o debate nos dois lados.
Enquanto as militâncias buscam o fortalecimento por meio de uma identidade partidária, as lideranças procuram acomodação, seguindo a ideia do governador que deixa claro sua descrença no embate partidário. Outra similaridade nos partidos, porém, é a força da militância, que vem batendo o pé contra as imposições de suas estrelas e tucanos de alta plumagem.

