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Telas ambulantes

O veículo mais usado para transmitir mensagens comerciais ou de contexto social, ecológico, político, de auto-expressão ou sem expressão nenhuma, e de qualquer coisa que se queira e invente, é hoje, quem diria, nossa simplória camiseta de malha, baratinha e prática, chamada t-shirt pelos que a inventaram, e que vai bem com tudo. As indianas as usam por baixo do sari, os padres a usam por baixo da batina, as freiras as escondem sob o hábito secular. Dizem que até a rainha Elizabeth…
 
Telas ambulantes, elas têm a dupla função de vestir e transmitir conceitos, opiniões, ideias, campanhas de utilidade pública ou sem utilidade nenhuma, mensagens de amor ou ódio, estado de espírito… e por aí vamos, que longa é a lista dos etcétera. De minha janela vejo um grupo de jovens revelando atitudes através de suas camisetas – Faça a paz, case com um militar; Câncer não é legal, Preguiçoso, mas talentoso; Talentoso, mas preguiçoso; Cuide do hoje, ou o amanhã não virá.
 
Como tudo que o homem inventa, descobre ou fabrica, as vulgares camisetas também têm história. O nome T-shirt veio do formato em forma de T, e foram criadas como roupa de baixo para os soldados da Primeira Guerra. Voltando para casa, os veteranos continuaram usando-as em casa, e o hábito se espalhou rapidamente. Aí vieram artistas com uma nova mentalidade em Hollywood, como Marlon Brando e James Dean, que chocaram o país aparecendo de camiseta em público.
 
E assim nasceu o mito. A primeira camiseta promocional foi usada para promover o filme O Mágico de Oz, ainda em 1939: “Siga a estrada de tijolos amarelos”. Seguimos, e hoje é difícil encontrar quem nunca vestiu uma camiseta, nem que seja para dormir. Com o advento do rock and roll e seus mitômanos, elas viraram coqueluche. Em 1959 inventaram o plastisol, uma tinta à base de PVC que permitiu impressões mais bonitas e duráveis em tecidos. E estava criado o outdoor pessoal, expondo tudo que seja permitido pela lei e tolerado pelos bons costumes.
 
Cultivado pelos homens há mais de 6.000 anos, o algodão é um dos produtos mais consumidos no mundo, gerando 25 bilhões de dólares anualmente, ganhando dos doces (17 bilhões); joalheria (7 bilhões); música (3 bilhões). Uma camiseta gasta 9.6 quilômetros de fios de algodão para ser fabricada. Mas nem tudo se perde na sua blusa preferida: 5 bilhões de toneladas de lixo têxtil se transformam anualmente em novas camisetas, onde você vai manifestar seus pontos de vista.
 
Ou não, que nem todas revelam o que vai na alma do usuário. O pivete com a camiseta de um político não votou nele; uma camiseta sem nada escrito não significa que o dono é mudo; uma camiseta com frases prontas não indica que a usuária não tem opinião própria; camiseta branca não indica que o usuário é, necessariamente, um pacifista; uma camiseta vermelha não significa nada. Quem usa camisetas com símbolos e logomarcas de grandes empresas, como Nike, Adidas, Calvin Klein, Apple, está divulgando de graça o produto pelo qual pagou caro.
 
Serviço de utilidade pública da coluna: Ajude a banir o trabalho escravo no mundo! A multinacional coreana Daewoo utiliza em sua indústria têxtil fios importados do Uzbequistão, país que ainda emprega trabalho escravo no cultivo do algodão. Mostre seu repúdio mandando um email para http://www.walkfree.org/daewoo-cotton/.
 

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