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Tem que ter peito

 

O futuro secretário de Meio Ambiente de Vitória, o engenheiro agrônomo Cleber Guerra, tem uma difícil missão pela frente: quebrar anos de omissão da prefeitura em relação à poluição do ar, o principal problema ambiental da Capital. Ele já entra no cargo ciente de um longo histórico de reivindicações, que são mais do que legítimas, e será cobrado a tomar frente na questão, o que significa mexer com os interesses da Vale e ArcelorMittal, principalmente. Resta saber: até que ponto vai a mudança pregada pelo prefeito eleito, Luciano Rezende (PPS)? 
 
Na área ambiental, há muita expectativa dos capixabas em relação à poluição do ar, que afeta diretamente a saúde da população. Tema que foi inclusive demanda apontada durante as audiências públicas realizadas por Luciano, os Gabinetes Itinerantes. A motivação é clara: virou uma constante Vitória figurar em rankings nacionais, amargando lideranças em índices de emissões de poluentes em relação a outras capitais. E embora os sinais sejam cada vez mais evidentes, o poder público não atua para fechar o cerco às empresas. Nem a longo prazo, muito menos em caráter emergencial, como a situação exige. 
 
Soma-se a esse clamor e preocupação, a frustração de o prefeito João Coser (PT) ter nomeado como sua secretária Sueli Passoni Tonini, que tem trajetória marcada por inúmeros episódios de benefícios e conluio com as poluidoras do Estado e os grandes projetos, durante sua passagem pela diretoria do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema). Coser, assim, fechou as portas da prefeitura para as entidades ambientais. Não houve diálogo, nem compromisso. Pelo contrário. 
 
Na conta do petista está ainda a não implementação do Programa Municipal de Controle de Poluição do ar, que virou lei em 2011, mas até hoje não “deu as caras”. O prefeito chegou a vetar o projeto do vereador Namy Chequer (PCdoB), mas os vereadores derrubaram. A medida previa a apresentação de um inventário pela prefeitura em 30 dias, além de exigir dos empreendimentos com potencial de emissão atmosférica acima de 100 toneladas de material particulado, a apresentação anual de seu inventário, com identificação de todas as fontes existentes em seus limites. É outra demanda vai cair no colo de Cleber Guerra e que precisa de respostas. 
 
Por essas e outras, havia também muita expectativa de que o prefeito eleito escolhesse para a pasta um nome ligado à área ambiental. O novo secretário não é propriamente esta pessoa. Apesar de ser considerado um perfil técnico, sem manchas no currículo, ainda é um desconhecido para o setor. E o sistema é um adversário poderoso.
 
Lembro-me bem quando o atual secretário de Estado da Agricultura, Ênio Bergoli, tomou posse no cargo pela primeira vez – está na pasta desde 2009. Encheu o povo de esperança, porque era um quadro técnico, funcionário de carreira do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), e deu no que deu. Hoje advoga pelos ruralistas e faz muito é entregar trator Estado afora. 
 
Que Cleber Guerra não seja mais um a nos frustrar. A lista é extensa.

Manaira Medeiros é especialista em Educação e Gestão Ambiental

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