No dia seguinte à votação na Câmara dos Deputados, com a aprovação para o prosseguimento do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, a sociedade já considera um governo Michel Temer como algo muito próximo de acontecer. Neste contexto, esse novo cenário é favorável ou não para o Espírito Santo? Depende.
Vai ser bom para o governador Paulo Hartung, isso sim. Há dois cenários aí colocados. No primeiro, ele deixa o governo do Estado nas mãos de seu vice, César Colnago (PSDB) e assume o Ministério da Fazenda, deixando para trás um Estado repleto de problemas para resolver e uma popularidade bem distante da que teve no passado. Enquanto isso, se prepara para um possível sucessão presidencial.
Em outro cenário, ele permanece no Estado, no cargo de governador, e busca aproximação com o governo federal, em uma situação parecida com a que teve no início de seu primeiro mandato, em 2003. Naquele momento, o governo Lula injetou uma boa quantidade de recursos em antecipação aos royalties de petróleo, que garantiram o equilíbrio das contas públicas e a governabilidade de Hartung pelo resto do mandato, facilitando assim sua reeleição em 2006 e a eleição de um sucessor em 2010.
Para o governo federal, investir em um estado pequeno e sem grandes contratastes, como São Paulo, Minas Gerais ou Rio de Janeiro, dentro do Sudeste, é um bom investimento, mostraria como o governo do peemedebista ajudou um aliado a se reerguer economicamente. De quebra, Temer cria as condições para expandir a imagem de seu aliado peemedebista, também para uma eventual sucessão em 2018.
Ambos os caminhos podem levar Hartung à disputa presidencial, no primeiro cenário, ele ganha a visibilidade necessária para a disputa, mais rapidamente. No segundo, vai ser uma estratégia de vitrine. O primeiro é mais vulnerável, afinal, teria que dar soluções para a crise ou sairia desgastado. Na segunda, corre o risco de não conseguir a visibilidade necessária até 2018.
Fragmentos:
1 – Os deputados federais mais atacados nas redes sociais pelos votos no processo do impeachment nesse domingo (17) são os petistas Helder Salomão e Givaldo Vieira. Mas do outro lado também há disparos que seguem na direção do deputado Max Filho (PSDB).
2 – O tucano Luiz Paulo Vellozo Lucas deixou a presidência do Banco de Desenvolvimento do Estado (Bandes) para se dedicar à disputa à prefeitura de Vitória. O tucano tem andado muito, mas tem problemas com falta de recursos para a campanha.
3 – Quem não disputa, mas ainda tem um capital considerável é o ex-prefeito João Coser. Mesmo com toda o imbróglio envolvendo o PT nacional, ele ainda tem uma fatia do eleitorado. Quem diria!

