Os candidatos falam abobrinhas, mentem piedosamente e prometem o dia e a noite, o sol e a lua, enquanto os cidadãos comuns não têm alternativa senão participar do jogo.
Sim, o jogo se pratica de dois em dois anos, é uma competição valendo milhões em que leva vantagem quem tem dinheiro para apostar ou participa de uma coligação milionária, com direito a muito mais tempo no rádio e na TV. Evidentemente, é um jogo de cartas marcadas criado para manter o status quo.
Uma das poucas novidades da atual campanha é a participação acintosa de empresários adeptos do liberalismo econômico e de economistas que pregam o livre mercado em palestras, entrevistas e depoimentos aos meios de comunicação.
Se esses economistas são intelectualmente desonestos, os empresários são oportunistas hipócritas.
Citemos dois nomes “notáveis”: Persio Arida, economista do PSDB de Alckmin, e Paulo Guedes, “ministro da Fazenda” do candidato presidencial Bolsonaro (PSL-RJ).
Agentes bancários dos mais ativos do país, empresários portanto, ambos são irracionalmente egoístas ao defender a primazia do mercado sobre o planejamento estatal num país desfigurado pela desigualdade socioeconômica.
Arida e Guedes são apenas duas cabeças que sobressaem ao expressar o “pensamento único” que tomou conta do país depois do colapso da gestão petista.
A racionalidade recomenda investimentos públicos em educação, saúde, segurança, emprego, habitação e construção de infraestrutura – coisas feitas pelo PT enquanto alguns dos seus membros pisavam na bola em conluios com empresários pragmáticos e agentes públicos identificados com o Centrão político hoje majoritariamente acoplado à candidatura do paulista Alckmin.
Como se não bastasse a confusão produzida por tamanho destempero, emerge agora das catacumbas da Unicamp a voz do cientista político Wanderlei Guilherme dos Santos. Respeitado pensador de esquerda, ele detona a estratégia política do PT em defesa da candidatura do ex-presidente Lula ao Planalto.
Criticando o “duplo discurso de insultar o Judiciário e a ele recorrer com a linguagem das Vossas Excelências”, WG dos Santos acusa o PT, e Lula, de promoverem a mais profunda e doída divisão nas correntes de esquerda do País”.
Para o cientista político, “o PT não tem como continuar mobilizando o seu eleitorado e apoiadores mediante a possibilidade de uma sessão mediúnica com eficácia sobre o mundo real”.
WG dos Santos duvida que Lula transfira seus votos para Fernando Haddad, ex-prefeito de São Paulo, mesmo contando com uma militância fanalizada que não mobilizou as massas, ainda que as pesquisas de intenção de voto apontassem a simpatia popular pelo ex-presidente preso em Curitiba por corrupção.
LEMBRETE DE OCASIÃO
“O PT e membros estão a um passo de convocarem à mesa da fé o espírito autoritário do antigo Partidão. O PT e os cronistas de boa fé permanecem na senda de conduzir toda a esquerda ao inferno. Que, esse sim, existe”.

