Março entra em sua reta final com uma única certeza: a classe política capixaba hoje tem pouca condição de vislumbrar o cenário político de 2018. Muito se fala em polarização, mas só se tem certeza mesmo de quem está em um dos polos: o governador Paulo Hartung (PMDB) e seus aliados. Do outro lado, muita gente se movimenta, ora aparecendo, ora mergulhando para testar a temperatura do cenário.
Na movimentação para esvaziamento da chapa de Gilson Daniel (PV) na eleição da Associação dos Municípios do Estado (Amunes), o governador mostrou força. Se lançou em um jogo arriscado, que deu certo, mas vai custar caro. Ele impôs à senadora Rose de Freitas (PMDB) uma derrota consistente, mas ainda é cedo para dizer que ele acabou com suas movimentações para 2018.
Já o ex-governador Renato Casagrande (PSB) parece mergulhado em águas profundas. O socialista, que saiu da disputa de 2014 atirando para todos os lados, se mostrava o grande adversário de Hartung em 2018, mas na planície não conseguiu o espaço necessário para manter uma postura de ataque.
O senador Ricardo Ferraço (PSDB) oscila entre os dois lados e faz mistério sobre suas pretensões. Garante a disputa ao Senado, mas ao lado de quem?
Paralelamente, os prefeitos da Serra, Audifax Barcelos (Rede); de Vitória, Luciano Rezende (PPS); e de Vila Velha, Max Filho (PSDB) parecem ter assinado um acordo de cavalheiros para ver quem chega em 2018 com mais condições em um cenário em que o segundo pelotão seja escalado para a disputa.
Nesse grupo se destaca Luciano Rezende, que evita contaminações. Se afastou tanto de Casagrande quanto de Hartung e pode se colocar como uma terceira via, mas vai ter fôlego e apoio para isso? Audifax hoje parece mais próximo do PSB do que de Hartung, mas ele não tem a confiança de nenhum dos dois lados. Max Filho tem o desafio de ser um bom prefeito para uma cidade muito complicada e ainda se colocar em um jogo tucano, que tem o olhar mais voltado para a disputa nacional do que estadual.
Já no polo de Hartung, as dúvidas são ainda maiores. O governador disputa? E se disputar, qual cargo vai querer? O projeto de chegar como um dos grandes no Senado não parece consistente diante do desgaste nacional provocado pela crise na Segurança, que embora ele tente amenizar, tem como principal foco seu ajuste fiscal. O mesmo vale para um voo mais alto como vice ou presidente. Resta o governo do Estado, mas partir para um quarto mandato, seria prudente? Se o terceiro já vem lhe impondo um grande gasto de energia, imagina um quarto?
Tudo vai depender dos próximos episódios políticos nacionais e locais que 2017 ensaia até o fim do ano e da habilidade política de Hartung, que agora é mais agressiva, mais explícita e, em alguns momentos, desesperada. Por enquanto, o que se tem é uma série de incertezas e um monte de apostas.

