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Terceiro Ato

Para assistir ao desenrolar do terceiro governo Paulo Hartung (PMDB) no Espírito Santo, é preciso ter o olhar de quem frequenta uma peça de teatro. Até aqui se viu a construção de uma narrativa em dois atos, um antes da eleição e outro nos dois primeiros anos de governo. Agora, o governo se prepara para a terceira parte da apresentação, com a construção da narrativa da recuperação econômica do Estado.

Mas vamos aos dois primeiros. Ainda em 2014, os aliados de Hartung, Ana Paula Véscovi – posteriormente sua secretária de Fazenda – e Haroldo Corrêa Rocha – atual secretário de Educação de Hartung – divulgaram um documento, mostrando que o Estado, sob a administração de Renato Casagrande (PSB), estava quebrado.

É verdade que o Estado, assim como a maioria do País, não estava bem das pernas, mas os aliados de Hartung carregaram na tinta, construindo um cenário de desolação causado pela incompetência do gestor e que só o excelente Hartung, que conduziu a faxina ética no Espírito Santo, no início da década de 2000, poderia reconduzir o Estado aos trilhos.

No segundo ato, com Hartung já eleito, o cenário construído mostrava a necessidade de cortar na carne para evitar o colapso das contas públicas. Apontando o dedo para o Rio de Janeiro e sua situação de calamidade, Hartung conseguiu controlar a classe política, parte dos servidores e a sociedade, com a construção da narrativa da austeridade. Era hora de chamar as lideranças à responsabilidade, porque o tempo era de crise.

Agora chegamos ao terceiro ato, com a redenção. O governador volta à rua, diz que a crise está passando, chama os prefeitos do interior e promete abrir o cofre, e começa a visitar os municípios entregando obras. A crise está prestes a ser superada, graças, claro, à responsabilidade do gestor. Hartung agora encena o homem que conseguiu recuperar as finanças do Estado. Ainda que nem todos os seus planos tenham dado certo, ele se estabelece como o grande gestor.

A ideia devia ser a de vender a Cesan, para exibir um cofre abarrotado no fim do mandato. Mas isso foi melado pelo prefeito de Vitória, Luciano Rezende (PPS), antes de seu mergulho em águas profundas.

O grand finale acontece na eleição de 2018, quando ele deve fechar seu mandato com o comando da classe política capixaba, retomando o tamanho político que tinha no Estado. Será?

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