No Brasil, quando se fala em CPI, a palavra pizza sempre acompanha o raciocínio. O mecanismo ficou estigmatizado pelas inúmeras tentativas sem sucesso no Congresso Nacional, Assembleias e Câmaras de Vereadores. No Estado, as malfadadas CPI do grampo, no Legislativo Estadual e a CPI da Lama, na Câmara de Vitória, criaram grandes expectativas, mas terminaram de forma melancólica.
A primeira não teve o relatório lido pelos deputados e a segunda foi suspensa por ordem judicial. Nota-se que quando o assunto envolve gente graúda, investigações nesse campo acabam se tornando algo perigoso ou fadado ao fracasso.
Hoje a Assembleia tem cinco CPIs em funcionamento, algumas delas feitas por encomenda para atacar o governo anterior, outras, porém, podem trazer muita dor de cabeça para autoridades e aproveitadores. A CPI do Guincho entra em um caminho muito incerto e que merece ser acompanhado de perto.
Antes mesmo de ser instalada, o presidente do colegiado, deputado Enivaldo dos Anjos (PSD), já foi “alertado” de que estaria mexendo com gente muito poderosa, que talvez fosse melhor ficar longe disso. Ele, até aqui, não se intimidou e a CPI começou a funcionar, trazendo à tona um esquema milionário para os donos de pátios e guinchos.
E como quem opera esquema milionário não quer perder a bocada, muito menos ver gente xeretando seus interesses, a coisa pode ficar delicada. A diferença é que esse assunto chama atenção da população, dá visibilidade, nesse sentido, qualquer ponto fora da curva não terá como ser escondido.
Se conseguir abrir a caixa preta dos guinchos no Estado, a Assembleia estará prestando um grande serviço à população. A expectativa da sociedade é de que esta CPI chegue ao fundo da questão e mostre quem são os operadores desse sistema e que proponha uma forma de colocar um fim nisso.
Fragmentos:
1 – Em alguns momentos do depoimento do diretor do Detran, Fabiano Contarato, à CPI dos Guinchos, notou-se um jogo de empurra entre o Executivo e o Legislativo.
2 – O diretor do Detran dizendo que é preciso mudar as leis e os deputado, rebatendo, que para mudar a lei é preciso que o Executivo as mande para o Legislativo.
3 – Antes de definir se haverá mesmo um grupo de oposição ao prefeito Juninho (PPS), liderado pelo ex-prefeito Helder Salomão (PT), na disputa de 2016, já tem gente querendo discutir espaço no governo. Excesso de confiança ou olho grande mesmo?

