Os observadores da política colocam seu foco nas disputas municipais deste ano, sobretudo nos candidatos colocados como novidades. Embora haja uma certa decepção do eleitor que apostou nesse perfil na eleição de 2012, muita gente ainda vai se apresentar como produto ainda não testado para tentar se destacar na disputa.
Nessa linha, chama a atenção, é claro, a movimentação do deputado estadual Amaro Neto, que está migrando do PMB para o DEM para a disputar a prefeitura de Vitória. Amaro espera contar com apoio do governador Paulo Hartung (PMDB). Mas até onde vai o poder de fogo de Amaro Neto? Essa é uma questão que apenas o pleito poderá responder.
Ele tem uma grande popularidade e vem fomentando esse trunfo, caminhando pelas feiras da cidade, cumprimentando futuros eleitores na rua. Mas há quem goste de contemporizar: “Lembra do Celso Russomanno?”.
É verdade que é preciso observar as devidas proporções. Russomanno não era exatamente uma novidade, já tinha uma trajetória política antes de disputar a prefeitura de São Paulo em 2012. Amaro Neto está em seu primeiro mandato de deputado estadual, e embora a população esperasse mais visibilidade do apresentador como deputado, ele ainda não sofreu desgaste, que é natural em longos caminhos políticos.
Russomanno, que também ficou conhecido do público por causa dos programas jornalísticos com forte apelo popular, inicialmente com um quadro no clássico policialesco Aqui Agora, saiu na frente na disputa, e sua campanha era chamada de vencedora no início da disputa. Mas começou a sofrer desgastes quando começaram as fases dos debates. Russomanno que volta a ser favorito para a corrida à prefeitura de São Paulo este ano, a exemplo do que ocorreu em 2012, atribui a queda de rendimento que o tirou do segundo turno ao exíguo tempo de TV do PRP. Este ano ele negocia as alianças para aumentar o tempo de TV.
A experiência paulista deve servir de exemplo para que o deputado-candidato não incorra nos mesmos erros de seu colega apresentador. O cenário também deve ser observado com calma. O prefeito Luciano Rezende (PPS) vem fazendo um discurso positivo, como se tudo estivesse perfeito na cidade. Um discurso que pode colocá-lo em dificuldade quando confrontado.
Ele mostrou um certo destempero na prestação de contas na Câmara no início do mês, o que pode se transformar em ferramenta para seus adversários. O ex-prefeito Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB) vai querer fazer um discurso comparativo, mas sabe que não pode perder mais uma. Restam dois nomes difíceis de serem desconstruídos: Enivaldo dos Anjos (PSD) e Lelo Coimbra (PMDB).
Ambos não têm nada a perder, já que estão com seus mandatos parlamentares e não estão na frente da corrida eleitoral, ou seja, a eles só resta subir. Lelo tem muita dificuldade, mas Enivaldo tem traquejo político, não tem medo, não tem alianças que lhe podem as asas e, é, de certa forma, uma novidade pelo menos em Vitória.
Fragmentos
1 – O debate ambiental começa a tomar corpo como o grande diferencial da eleição em Vitória. O problema é antigo, mas os agentes políticos sempre se omitiram. Agora sem o financiamento das poluidoras a coisa pode ficar diferente.
2 – Mas aí a população vai ter que separar quem tem identidade com o tema e quem está pegando carona. É só olhar as prestações de contas anteriores e ver quem financiou o candidato no passado.
3 – O projeto do deputado Marcelo Santos (PMDB) estabelece que após um ano sem infração, o motorista tenha 10% de desconto no valor do imposto. O abatimento aumenta em mais 10% a cada ano em que o condutor respeitar todas as leis de trânsito, até o limite de 50%.

