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Tiro no pé

Considerando as articulações políticas dos últimos dias entre o governo Renato Casagrande e a Assembleia Legislativa, com muitas manobras no meio, o arquivamento do projeto de decreto legislativo do deputado estadual Euclério Sampaio (PDT) que defendia a suspensão do pedágio na Terceira Ponte, era previsível. Mas nem tanto a mudança “repentina” de posição da deputada estadual Janete de Sá (PMN), que resolveu “virar a casaca”. Logo ela, que desde o início da ocupação tentou de tudo e mais um pouco para capitalizar com o movimento. Durante os 12 dias de ocupação, Janete fez um esforço danado para conseguir a simpatia dos manifestantes e vivia posando de defensora das ruas. Não à toa, sobram fotos dela no meio do “povão” – ela mesmo fez questão de registrar seu “empenho” no Facebook (ela até sentou no chão, assim como os manifestantes). Para todo mundo, uma demonstração clara de apoio ao movimento. Mas que nada, só cena. No final das contas, a deputada colocou Gildevan Fernandes (PV) no chinelo. Ele, pelo menos, governista do jeito que é, foi coerente com sua posição. Já Janete fez cena e vai pagar por isso. Sai marcada do episódio. 
 
Não honrou
A série de fatos dos últimos dias prova quem ficou com fama de não cumprir compromissos. O presidente da Assembleia, Theodorico Ferraço (DEM), tentou imprimir essa marca nos manifestantes, mas a máscara da Casa já caiu tem tempo. 
 
Não honrou II
Justiça, Mesa Diretora, representantes dos direitos humanos e manifestantes demoram 15 horas para chegar a um acordo de desocupação da Casa, após 12 dias. Ponto principal: a votação do projeto nesta segunda, com acompanhamento da população. E a Assembleia enche as galerias com servidores dos gabinetes, para impedir a entrada dos demais, ainda com o BME na porta usando de força policial sem controle? Inacreditável.
 
Show de horror
Lembrando do almoço entre Ferração e o governador Renato Casagrande. Manda quem pode…
 
Show de horror II
A situação dentro da Casa durante a votação era tão tensa, que a deputada estadual Lúcia Dornelas (PT), ao manifestar sua indignação com os barulhos de bomba e balas de borracha contra a população na área externa, chegou a chorar. 
 
Show de horror III
Incomodados como ela, estavam o também petista Cláudio Vereza, Euclério e Hércules Silveira (PMDB), únicos a tocar no assunto e pedir ao presidente que liberasse a entrada para a população. Ferraço não pareceu nem um pouco comovido ou preocupado.
 
Show de horror IV
Alheios ao cenário, os deputados Paulo Roberto (PMDB) e Dary Pagung (PRP) estavam o tempo todo em um papo pra lá de descontraído, com sorrisos na cara. Que coisa.
 
Show de horror V
Casagrande conseguiu ser destaque na imprensa nacional. Ficou “mal na foto”.
 
Show de horror VI
Até uma professora, identificada como Maria Cecília, levou tiro de bala de borracha de graça. Isso logo no começo da sessão. Levou 18 pontos, pele necrosada e tudo mais. Quem responde pela violência?
 
Dois pesos…
Aliás, entidades ambientais já estão incomodadas de ouvir o discurso de Casagrande em relação à Rodosol. É que o socialista, para justificar seu posicionamento diante do clamor popular, adora citar o “respeito à Constituição”. Acontece, porém, que as denúncias em relação à poluição no Estado, que já se acumulam nas gavetas do Palácio Anchieta, não seguem a mesma regra. Apenas reivindicam o cumprimento da legislação. Mas não há nem resposta do governador.
 
140 toques
“Muitos tiros, balas de borracha e bombas aqui na Assembleia”. (Universo Ufes – no Twitter).
 
PENSAMENTO: 
“A sabedoria é melhor do que as armas de guerra”. Eclesiastes, IX, 18

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