Tirando os deputados federais Evair de Melo (PV), Marcus Vicente (PP) e Carlos Manato (SD), o restante da bancada capixaba vive, desde o início do mandato, uma forte pressão para que disputem as eleições municipais. Mas não está sendo muito fácil convencer alguns deles a entrarem na disputa.
Não é o caso de Lelo Coimbra (PMDB) e Givaldo Vieira (PT), os deputados federais têm se apresentado ao eleitorado e ao mercado político em suas bases eleitorais, respectivamente, Vitória e Serra. Mas chama a atenção o fato de eles serem os que teriam menos chances entre os demais federais na eleição de outubro.
Lelo Coimbra vem tentando criar musculatura, mas não conta com o apoio de seu principal apoiador em sua trajetória política, o governador Paulo Hartung (PMDB). Já o petista tenta se reaproximar de um eleitorado do qual esteve distante nos últimos anos, ainda sob a influência de uma briga política entre dois figurões no município da Serra. Um deles é colega de bancada, Sérgio Vidigal (PDT), que também não teria uma empolgação muito grande pela disputa deste ano, pois se perder uma segunda disputa em sua principal base eleitoral, contra o atual prefeito Audifax Barcelos (Rede), pode ter um encolhimento em sua importância para o jogo político do Estado. Além disso, após desobedecer a orientação da nacional do PDT e votar a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff, Vidigal pode ser expulso do partido e ficar sem legenda para a disputa.
Quem conseguiu fugir de um compromisso na disputa municipal é o deputado federal Paulo Foletto (PSB), que abriu mão do favoritismo na eleição de Colatina, no noroeste do Estado, para apoiar o correligionário Tadeu Marino. Ele fica livre para cumprir o restante do mandato e avaliar o melhor caminho para 2018. Vem dizendo aos interlocutores que nem da Câmara quer mais saber. Pode vier a disputar a eleição de deputado estadual.
O deputado federal Max Filho (PSDB) também vem sendo cobrado pelos eleitores e lideranças do município de Vila Velha para disputar a eleição deste ano, mas vem saindo pela tangente. Cobrado agora pelo governador Paulo Hartung (PMDB), ele pode até considerar a eleição, mas seus planos são maiores. Tem condições, inclusive, de disputar o governo do Estado, mas precisa se livrar do compromisso deste ano.
Helder Salomão (PT) e Jorge Silva (PHS) oscilam desde o ano passado sobre disputar ou não em seus redutos eleitorais, Cariacica e São Mateus, respectivamente. Ambos são favoritos, e a impressão é que Jorge Silva vai se definir pela disputa mesmo, já o petista pode compor e ficar fora da eleição municipal. No caso dele, a pressão vem do próprio partido, que precisa vencer em um município importante do Estado para se manter no jogo político. E Cariacica é a chance mais real do PT de conseguir isso.
Enquanto os deputados federais se decidem sobre a eleição, seus suplentes Norma Ayub (DEM), Iriny Lopes (PT) e Vandinho Leite (que está no PSDB, mas foi eleito pelo PSB) ficam na expectativa.

