A Associação dos Municípios do Espírito Santo (Amunes) foi criada em 1972 e desde então teve 14 presidentes, entre eles o ex-prefeito da Serra, José Maria Feu Rosa; o hoje deputado estadual e ex-prefeito de Barra de São Francisco, Enivaldo dos Anjos (PSD), e o ex-prefeito de Anchieta, Moacir Carone.
O primeiro a comandar a entidade foi o ex-prefeito de Vila Velha Namyr Carlos de Souza, mas quem conseguiu mais visibilidade à frente da Associação foi o ex-prefeito de Colatina e hoje secretário de Ciência e Tecnologia, Guerino Balestrassi, chegando, inclusive, à vice-presidência da Confederação Nacional dos Municípios (CNM).
Embora a Amunes nunca tenha oferecido qualquer ameaça ao governo do Estado, de 2003 pra cá, todo cuidado é pouco, afinal, o cenário político já se mostrou bem diferente daquela época.
Daí o interesse do governador Paulo Hartung na disputa pela presidência da Associação. De Balestrassi a Dalton Perim, passando por Gilson Amaro e Elieser Rabello, a harmonia com o governo do Estado sempre existiu. É verdade que foi de Balestrassi a proposta do Fundo de Combate às Desigualdades Regionais, mas Hartung viu ali uma possibilidade de capitalizar com o projeto e assimilou a medida, levando-o para a Assembleia.
A situação política do Estado é diferente. Hartung não foi eleito com o apoio dos prefeitos, pelo menos, com o apoio da maioria deles, que defenderam a reeleição de Renato Casagrande. Até Dalton Perim, que é do PMDB, antes do anúncio oficial de Hartung como candidato, defendia a reeleição. Hartung contou com o apoio dos ex-prefeitos e dos adversários dos atuais gestores municipais, sobretudo no interior.
A disputa tem o próprio Perim, que já deu demonstração de lealdade à frente da entidade, e Gilson Daniel, que apoiou Renato Casagrande, mas após a eleição tratou de se aproximar do Palácio Anchieta. Perim é mais leal, mas está em viés de queda com os prefeitos. Daniel é “Madalena arrependida”, mas tem poder de atração dos prefeitos e pode ajudar Hartung em sua postura de dizer não, sem que eles se rebelem.
O fato é que todo cuidado é pouco para o governo. Deixar a eleição da Amunes correr solta a esta altura do campeonato não seria uma atitude inteligente de Hartung. Chamar para conversar e buscar uma saída consensual, até para não atrair os holofotes para a disputa na Amunes, é um caminho político e a saída conveniente.

