A horda que veio para a Flórida sonha em ter iates

Os brasileiros invadiram os Estados Unidos por muitas razões – Garota eu vou pra Califórnia, vou ser artista de cinema… a Califórnia, porém, não é nosso destino preferido, e poucos sonham em repetir o sucesso da Carmem Miranda. Um instituto de pesquisas divulgou recentemente o número de imigrantes por nacionalidade e, sem surpresas, vemos que os hispanos estarão sempre na dianteira: 40 milhões, a maioria mexicana.
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Pegamos o 12º lugar: 845 mil falam a língua de Camões e Machado de Assis, entre brasileiros e portugueses. A maior população se concentra em Massachusetts, Connecticut, Utah e Rhode Island; são pescadores. A horda que veio para a Flórida sonha em ter iates.
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No 11º lugar o Hindi, falado na Índia. São 890 mil, mas deve estar desatualizado, pois vemos indianos para todo lado que se olha. Em 10º lugar o russo: 95 mil. Esse é o segundo idioma oficial da Nasa, que precisa se comunicar com eles. O 9º lugar é do coreano, com 1,1 milhão falantes; e em 8º o árabe, com 1,2 milhão. Tem mais árabes no Brasil do que aqui.
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Em 7º lugar vem o alemão, com um milhão e 450 mil falantes concentrados principalmente no Texas. É falado também nas comunidades Amish e Menonite. O número 6 é o vietnamita, e acredite se quiser, depois desse vem o Tagalog, de que nunca ouvi falar. Somam um milhão e setecentos mil falantes, vindos das Filipinas, com 38% deles na Califórnia. Em quarto lugar o Francês, e em terceiro o chinês, que se subdivide em Patois, Haitian, Creole. O Creole é a terceira língua oficial da Flórida.
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O idioma define nossas origens, as raízes que nos atam aos nossos antepassados. O imigrante passa pelo período de transição por meio do domínio de outro idioma, tentando se adaptar e ser aceito. Há os que conseguem equilibrar essas duas realidades adquirindo um eu duplo, adaptado à nova vida sem se afastar da identidade primária. Outros se desligam totalmente do que ficou para trás, criando um novo sentido para a vida. E há os que se perdem no trajeto, nem lá nem cá, não gostam da terra adotiva e estão eternamente planejando um retorno que não vai acontecer.

