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Segunda, 26 Outubro 2020

Trabalhadores à parte

Praticamente todas as ações do governo federal na área das relações de trabalho, neste primeiro ano da gestão de Jair Bolsonaro, têm a característica de fechar o diálogo com a classe trabalhadora. Desde a reforma do trabalho à da Previdência, passando pelas investidas de esvaziamento das entidades sindicais, o que se observa é o firme propósito de aniquilar direitos e emperrar mecanismos de mobilização.  



O Estado é palco de mais uma iniciativa desse tipo, seguindo modelo neoliberal de valorizar a atividade econômica, colocando-a muito acima das questões sociais e ambientais. Trata-se do projeto de privatização dos portos, uma ameaça à Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa), que pode deixar de existir a partir de 2020, quando esse processo deverá estar concluído.  



Os trabalhadores enfrentam uma situação difícil, diante da possibilidade de haver centenas de desempregados, quando foram surpreendidos com a criação do Grupo de Trabalho publicado no Diário Legislativo estadual, no último dia 20, de iniciativa do presidente da Comissão de Infraestrutura da Assembleia, deputado Marcelo Santos (PDT). 



Mais uma vez, os trabalhadores não foram chamados ao diálogo para debater questões relacionadas à manutenção das taxas de emprego, levando em conta que informações que anunciam o grupo de trabalho direcionam sua criação somente para discutir assuntos sobre melhoria da competitividade do setor portuário e “debater e propor medidas para tornar a gestão da companhia mais eficiente”. 



Um objetivo que deixa as questões trabalhistas de fora, inclusive o desemprego, dando ênfase ao aspecto puramente econômico, em detrimento do social. Em um cenário de apreensão e medo em que o País foi colocado nos últimos três anos, os trabalhadores da Codesa temem o direcionamento adotado nessa fase de pré-privatização, que poderá gerar mais desemprego e problemas sociais de grande envergadura, como a redução drástica da qualidade de vida do trabalhador. 



São mudanças cruéis, como parte de uma cultura competitiva que só leva em conta a lucratividade, como está comprovada na formação do grupo de trabalho, cujos integrantes são, na maioria, representantes de classes patronais e da conhecida entidade de empresários, ES em Ação.



Os trabalhadores estão mobilizados e reivindicam diálogo e negociações para a garantia de emprego e das condições de trabalho com a mudança na gestão da companhia. Uma reivindicação justa, que pode ser atendida caso haja vontade política que coloque as questões sociais onde elas merecem, a fim de evitar um mal maior, prejudicial a toda sociedade. 

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