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Tragédia socioambiental

Em Mariana (MG), uma barragem de rejeitos de minério, de responsabilidade da Samarco/Vale/BHP Billinton, se rompeu. A tragédia resultou em muitas mortes, desabrigou milhares de famílias e destruiu distritos inteiros. A catástrofe socioambiental atinge milhões de famílias em grandes áreas de Minas Gerais e Espírito Santo. Era uma tragédia anunciada.
Durante décadas a população sofrerá as consequências deste desastre que poderia ser evitado se a ganância por lucro e a negligência não estivessem de mãos dadas.
Ha alguns anos parlamentares mineiros propuseram uma CPI para investigar a situação das barragens, essa proposta foi rejeitada, talvez se a CPI tivesse sido instalada e realizado seus trabalhos corretamente, este desastre não tivesse ocorrido. Professores da Universidade Minas Gerais alertaram, os trabalhadores das mineradoras alertaram as ONGs alertaram. Tudo sem sucesso e agora diante desta tragédia algo precisa ser feito, não penas para esclarecer todos os fatos, mas também punir os responsáveis e reparar os danos sociais e ambientais. 
Sem uma apuração rigorosa de todas as consequências socioambientais que atingem milhões de famílias, não poderemos evitar que outras calamidades dessa natureza se repitam, atingindo comunidades inteiras, sejam de ribeirinhos, pescadores, agricultores, pecuaristas e povos indígenas que estão privados de água e moradia, sem fonte de trabalho e alimentação.
A reparação plena é impossível, pois as mortes e os sofrimentos das pessoas atingidas não têm preço, mas consequências.
Quem são os responsáveis pela tragédia? O que foi feito para prevenir enquanto era tempo? Qual era ao plano de prevenção e contingenciamento dos responsáveis pelas barragens? 
Um mês depois e ainda existe a possibilidade do rompimento de uma barragem ainda maior, que apresenta falhas evidentes de estrutura, admitidas pela própria Samarco.
As famílias vítimas desta tragédia ainda não sabem das providências que serão tomadas para garantir seus empregos, suas moradias, e a reparação para o prejuízo, materiais e culturais e tampouco das providências para apurar e punir os responsáveis por este gigantesco crime socioambiental.
Completou um mês da tragédia no último dia 5 de dezembro e ainda não sabemos o número exato de mortos, nem tampouco dos danos causados pela irresponsabilidade das mineradoras, não apenas da Samarco, pois a Vale e HBP são donas da mineradora, sendo que a Vale também depositava rejeitos nas barragens de Mariana. 
A Vale, inicialmente, negou que usasse as barragens para depositar seus resíduos, pois não tinha licença para tal, em seguida admitiu que usava em pequena quantidade, só mais tarde reconhece que mais de 28% dos resíduos eram de suas minas.
A tragédia não acabou, as pessoas e o meio ambiente continuam sendo cruelmente atingidos. Os pescadores, os ribeirinhos, os agricultores e criadores de animais, os donos dos quiosques e pousadas os comerciantes, os artesãos os surfistas, os turistas, o comércio local, além dos rios com sua flora e fauna sendo destruídas, as praias atingidas, com prejuízos incalculáveis.
São milhares de trabalhadores que perderam seus postos de trabalho ou estão ameaçados sem nenhuma alternativa para sobrevivência. Pairando de maneira dramática o terror do desemprego dos trabalhadores da Samarco Mineradora. Cidades inteiras vivem as consequências danosas deste crime socioambiental. 
Em tais momentos as empresas usam da chantagem do desemprego contra os trabalhadores, como se eles fossem reféns ou os culpados pela irresponsabilidade das direções destas empresas que não tiveram os cuidados necessários para prevenir e evitar que esta tragédia anunciada acontecesse. 
Durante décadas viveremos sobre o efeito desta tragédia, mas de imediato é preciso proteger os trabalhadores que foram e estão sendo vítimas das mineradoras.
Em Minas Gerais e no Espírito Santo, por iniciativa da sociedade civil, surgem movimentos em defesa da população atingida, congregando igrejas, sindicatos, movimentos sociais e populares, ambientalistas, artistas, professores, ONGs, universidades, índios e pescadores que terão pela frente longos caminhos a percorrer: denunciando os crimes socioambientais no Brasil e no exterior; exigindo reparações das mineradoras; cobrando medidas e ações a curto médio e longo prazos do poder público.
Essas articulações tendem a crescer. A expectativa e que se unifiquem nas lutas das ruas e nas redes sociais , denunciando os crimes destas empresas mineradoras e a omissão ou negligência do poder público.
Esse crime socioambiental tem dimensão mundial, pois as empresas Vale e BHP Billinton são transnacionais e este foi o maior desastre com barragens de rejeitos do mundo. A ONU já cobrou medida e visitará as áreas afetadas. Inúmeras ONGs já se manifestaram pedindo punição e medidas para reparar o desastre, que continua destruindo empregos, a flora e fauna.
É verdade que muitos defendem a continuidade das operações da Samarco, Vale ou BHP, mas é preciso exigir a punição daqueles que por sede de lucro foram e são os responsáveis pelas perdas de vidas e pelos incalculáveis e irreparáveis prejuízos socioambientais.

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