Fotos: Leonardo Sá/Porã
Depois de finalmente assumir seu posto na G.R.E.S Espírito Santo, o ex-governador Renato Casagrande (PSB) deixou o título sair de suas mãos para retornar ao seu ex-aliado e hoje inimigo político, Paulo Hartung (PMDB). Só que, ao contrário dos anos anteriores, o atual governador não retorna ao sambódromo como em outros carnavais, cheio de brilho e pompa e circunstância. Embora ainda detenha o controle do mercado político, Hartung perdeu o posto de “intocável” com as denúncias de corrupção que envolvem suas gestões. Não foi tão fácil como ele imaginava recuperar o Estandarte de Ouro e, até que prove o contrário, também não será fácil mantê-lo nos próximos anos. Pelo menos, é o que garante Casagrande, ao manter a defesa de seu legado, como tem feito até agora, mesmo sem mandato. Agora se o socialista abrir caminho para Hartung evoluir com samba no pé, dificilmente sairá do grupo de acesso.
Comissão de Frente
Sem dúvida, os “mensageiros do caos” do governo Hartung, Ana Paula Vescovi, Haroldo Correa Rocha e Marcelo Zenkner. Os dois primeiros começaram a ensaiar o enredo ainda na campanha eleitoral, com o estudo que colocou em xeque as contas da gestão socialista, e que é repetido até hoje para dar o tom do atual governo. A escola apareceu bem ensaiada para justificar o não cumprimento de demandas da atual gestão. Mas ainda tem de convencer os foliões.
Abre-Alas
A melhor ornamentação para fazer eco a esse discurso não poderia ser outra senão o saco de sal que Hartung vai comer este ano para “arrumar a situação”, como ele próprio anunciou. O carro veio para ficar.
Ala dos Baianos
Está difícil tirar o senador Magno Malta (PR) desta ala. Depois de jurar que disputaria o governo do Estado, de inventar uma candidatura à presidência da República, e perder todos os candidatos de peso do seu partido, ficou a ver navios, mal apareceu nas eleições passadas, e acabou onde ninguém imaginava: nos braços de seu inimigo de longa data, Paulo Hartung.
Alegorias e Adereços
Ao contrário dos anos anteriores, o G.R.E.S Espírito Santo está bem representado neste quesito. Destaque para a “mansão secreta” de Hartung, que ganhou o País este ano, e para a caveira criada pela sociedade civil organizada que luta contra a poluição do ar da Vale e ArcelorMittal. Pela importância e peso, enfeitaram a escola.
Fantasia
Quem inaugurou a última moda neste Carnaval marcado por solenidades, com um terno de cor pra lá de vibrante, foi o presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-ES), Álvaro Bourguignon (foto abaixo), na diplomação do governador Paulo Hartung. Mas não foi o único. O deputado estadual Almir Vieira (PRP), em sua posse, seguiu a mesma tendência e apareceu com terno prateado. Teve brilho de sobra na passarela.

Velha Guarda
Dos integrantes desta ala, quem apareceu na folia deste ano para mostrar a que veio foi o deputado estadual Enivaldo dos Anjos (PSD). Com experiência de sobra no mercado político, virou o encalço das poluidoras nas articulações que culminaram com a CPI do Pó Preto e o constrangimento dos demais deputados, ao colocar a boca no trombone contra aqueles que sempre foram omissos à questão. Deu movimento e ritmo à escola.
Harmonia
O deputado estadual Rodrigo Coelho (PT) saiu melhor do que a encomenda e desempenhou dois papéis importantes na folia este ano: desmobilização do “blocão” para sucessão à presidência da Assembleia e, agora, para esvaziar a CPI do Pó Preto. Assim como o PT, está mais afinado do que nunca com o governo Hartung e conseguiu “bater” o ex-deputado Paulo Roberto, que mesmo empenhado, não tinha tanto “talento”.
Bateria
Este ano a bateria foi puxada por quem sempre é destaque de uma ou duas alas do Carnaval capixaba, o presidente da Assembleia Legislativa, Theodorico Ferraço (DEM). Depois de muito passar pelo recuo, para não mostrar o samba para o restante da escola, deu o tom do grupo e agora conduz com mão de ferro os deputados estaduais. Quase todos já integrados à nova escola.
Samba-enredo
O prefeito de Vitória, Luciano Rezende (PPS), arranhou o samba. Não foi fiel à antiga escola, atrapalhou o conjunto, e precisou sambar bastante até conseguir mudar de lado. Fez feio na avenida e já pode deixar o Carnaval.
Conjunto
O ex-deputado estadual e futuro chefe da Casa Civil, Paulo Roberto, e os deputados estaduais Euclério Sampaio (PDT) e Gildevan Fernandes (PV) atravessaram a passarela do samba bem ensaiados, alinhando todas as demais alas da escola de Hartung. Apareceram em momentos estratégicos para fazer o dever de casa, ou defendendo o atual governador ou para desgastar Casagrande. Sintonia igual não teve pra ninguém.
Mestre sala e porta bandeira
A concorrência foi muito acirrada e os jurados decidiram dar empate ao casal Hartung-Cristina Gomes e Theodorico-Norma Ayub (DEM). Mesmo diante de fortes “turbulências”, eles mantiveram a pose em público, com demonstrações de afeto e registros dignos de álbum de família. Uma graça.
Evolução
Gilsinho Lopes (PR) é o nome principal deste quesito. Depois de anos levantando, sozinho, a bandeira contra a poluição do ar na Assembleia e da luta para criar a CPI do Pó Preto, levou uma rasteira do grupo governista, se manteve de pé, e marcou seu território. Tem muito a colaborar nos trabalhos de investigação e merece os louros. Nota dez.

