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Transparência forçada

Até outro dia, a relação entre o Ministério Público Estadual e a Assembleia Legislativa era pra lá de amistosa. Há cerca de duas semanas, o procurador-geral de Justiça, Eder Pontes, prestou contas aos deputados em clima de paz e amor. O presidente da Casa, Theodorico Ferraço, fez questão de exaltar a harmonia entre as instituições. 
 
Ferraço só não esperava que três dias depois de ter feito o papel de anfitrião, o chefe do MP fosse retribuir a gentileza com um pedido de informações de servidores da Casa. O órgão ministerial queria a lista de mais de 100 funcionários. Motivo: os servidores em questão, a maioria lotada nos gabinetes dos deputados, estariam “desviados” em trabalho externo. Sem rodeios, estariam trabalhando como cabos eleitorais dos nobres deputados.
 
O pedido foi interpretado pelo presidente da Casa como um afronte. A resposta sobre a tal lista ainda não saiu, mas Ferraço já devolveu a “gentileza” a Pontes. 
 
Os deputados estudam solicitar ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) a abertura de uma auditoria nas contas do Ministério Público. O principal foco da devassa: as despesas com diárias, gratificações, salários e contratos de prestação de serviços, assuntos tabu guardados a sete chaves pelo chefe da instituição. 
 
Sem falar que de alguns gabinetes surgem rumores de que parlamentares mais magoados com Pontes querem mesmo a abertura de uma CPI para apurar os gastos com pessoal no MP.
 
Na queda de braços entre a Assembleia e o MP quem sai ganhando é o cidadão. Caso as duas instituições decidam medir forças, muitos podres, dos dois lados, podem vir à tona. A transparência, mesmo forçada, é bem-vinda. Talvez seja o único caminho para abrir os velcros que guardam segredos das duas instituições. 
 
No caso de uma devassa, o MP sairia em desvantagem em relação à Assembleia. Afinal, Eder Pontes, que se acha o xerifão da moralidade, quer fiscalizar mas não tolera ser fiscalizado. Imaginem a reação do procurador-geral ao saber que o órgão ministerial será alvo de uma CPI?
 
Eder Pontes tem perseguido todos aqueles que ousam questionar a sua gestão à frente do órgão, que o diga Século Diário. O jornal, que tem o compromisso de ser olhos e ouvidos da sociedade, vem sofrendo retaliações do chefe do MP. 
 
A estratégia de Eder Pontes é intimidar o jornal e seus jornalistas. Desde que Século Diário passou a exercer seu direito de fiscalizar o trabalho do MPES, o jornal vem sofrendo retaliações, que se traduzem em forma de processos na Justiça. 
 
Para cada notícia publicada criticando o órgão há uma nova ação criminal na Justiça. Mas com a Assembleia Pontes experimentou um revés inesperado. Achou que iria intimidar o Legislativo com seu pedido, mas acabou provando do seu próprio veneno.

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