Que o vice-governador César Colnago (PSDB) é uma das lideranças políticas mais habilidosas do Estado, não é novidade para ninguém. Com seu jeitinho de que nada sabe, nada vê, ele consegue fazer costuras que tem garantido sua sobrevivência política ao lado do governador Paulo Hartung (PMDB), sem precisar para isso sacrificar sua movimentação pessoal.
Agora ele é o detentor da senha número um para a sucessão estadual em 2018. Colnago conseguiu também apaziguar os ânimos do colega tucano Max Filho com Hartung, e garantir que o PSDB tenha um passe livre para governar o Estado, por pelo menos oito anos. Isso sem entrar em rota de colisão com Hartung, muito pelo contrário, com seu apoio.
A costura de Colnago evidentemente não é uma unanimidade no ninho tucano. Observa-se no PSDB, o interesse de algumas lideranças em tentar se afastar o máximo possível de Hartung. O grupo que esteve no palanque de Luciano Rezende (PPS), em Vitória, indica isso.
Os tucanos Luiz Paulo Vellozo Lucas, Sérgio Majeski entre outros, entendem que o partido deve buscar um viés mais independente de Hartung. Isso significa para alguns tucanos se aproximar de Renato Casagrande (PSB), o que pode ser um equívoco, já que Casagrande e Hartung travam batalhas diferentes.
O socialista quer uma revanche com o governador, mas Hartung não quer saber mais de Espírito Santo, só tem olhos para Brasília. Os tucanos ao lado de Casagrande correm o risco de entrarem em uma batalha sem o principal rival. E aí não tem graça. Como vão os tucanos que querem independência trabalhar contra a possível candidatura de César Colnago ao governo em 2018?
A fila que começa a se organizar teria Colnago como o titular no time de Hartung. Do outro lado, se tudo der certo, a Rede, se até lá Audifax Barcelos conseguir organizá-la, pode ter um candidato. Casagrande pode disputar, mas não a disputa que queria. Pode também ter Rose de Freitas (PMDB).
Enfim, tudo pode acontecer, até Hartung repetir 2010, quando não se desincompatibilizou, passando o governo para Ricardo Ferraço, seu então vice, que foi preterido na última hora da disputa ao governo, obrigado a ceder seu lugar ao então candidato do PSB, Renato Casagrande. Mas Colnago não é Ricardo Ferraço e vai ser mais difícil o governador passar a perna nele.
Fragmentos:
1 – O vereador Max da Mata (PDT) vai para esse segundo mandato de Luciano Rezende (PPS) com a faca nos dentes. Se na primeira gestão o vereador do PT, Reinaldo Bolão, tirou o prefeito do sério, Max da Mata promete irritar ainda mais Luciano.
2 – Aliás, o PPS mostrou nesta eleição que o que importa não é quantidade e sim qualidade. Venceu em apenas duas prefeituras e ainda assim, tem mais capital do que o todo poderoso PMDB e suas 16 prefeituras.
3 – O PDT ficou no quase. O partido perdeu uma prefeitura em relação a 2012, ficando com sete cidades. Poderia ter mudado de patamar se tivesse vencido na Serra, seu principal alvo nesta eleição. No que se refere às proporcionais, o partido foi o que teve o melhor desempenho no Estado.

