O governo confirmou o professor da Fucape, Bruno Funchal, para assumir a Secretaria Estadual da Fazenda (Sefaz) no lugar de Paulo Roberto Ferreira, que vai para a chefia de Gabinete de Paulo Hartung. Para os meios políticos , a aquisição vai além da currículo do economista, pós-doutor pelo Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada. A mexida visa a articulação do governador Paulo Hartung para ampliar sua base de sustentação.
O peemedebista tem mexido no secretariado de olho em 2018 e os reforços na equipe sugerem uma preparação para uma eventual revanche contra Renato Casagrande (PSB). É verdade que Hartung estaria mirando a disputa ao Senado e há quem duvide na disposição do socialista em tentar retornar ao governo do Estado. Mas os acontecimentos que se estendem durante o conturbado mês de fevereiro podem trazer mudanças de planos e as rotas dos dois principais personagens políticos de 2014, podem se encontrar no futuro.
Por isso, ambos se preparam reforçando seu time. Casagrande tem ao seu lado o imprevisível prefeito de Vitória Luciano Rezende (PPS) e lideranças do PV, da Rede e do PP e estaria atraindo a atenção de gente que sentiu desprestigiada no apoio a Hartung, como o ex-prefeito de Vitória, Luiz Paulo Vellozo Lucas e boa parte do ninho tucano.
Hartung mexe no secretariado atraindo forças do DEM, do PT, do PSD e tenta segurar o PDT. Mas o governador parece entender que reforço político partidário não é suficiente para garantir uma escolha segura para 2018. É preciso cercar todos os lados e o econômico é um ponto chave para isso.
Por isso, entendem alguns observadores, a ida de Funchal reforça a parceria longa de Hartung com a ONG empresarial Espírito Santo em Ação, pois agrada o presidente da entidade, Aridelmo Teixeira, diretor da Fucape. Assim o governador consegue atrair um filão que sempre esteve ao seu lado, sendo beneficiado e beneficiando o governador. Um acordo que fortalece não só a política de Hartung, mas ajuda a cimentar os apoios políticos da classe empresarial capixaba, núcleo pensante do governo.
Quanto à ida de Paulo Roberto para o Gabinete para ser interlocutor com os movimentos sociais, é difícil acreditar que quem tratou os deputados com tanta truculência na liderança informal do governo, pode ter algum tato para mediar a interlocução com os movimentos. A atenção do governador a esse campo nunca foi grande, mas sob o discurso do ajuste fiscal, ficou impossível.
Fragmentos:
1 – Do deputado Sérgio Majeski (PSDB): “Segundo a Lei de Diretrizes Orçamentárias do ES (LOA 2017), o Estado deverá conceder mais de R$ 1 bilhão em incentivos fiscais apenas neste ano, mas ninguém sabe o quanto cada empresa receberá de benefícios e tampouco os motivos pelos quais essas empresas são beneficiadas?”
2 – O deputado Theodorico Ferraço gravou um vídeo para falar sobre seu requerimento de sessão especial para tratar da segurança no Estado. Requerimento que foi rejeitado pela maioria dos deputados. No vídeo, Ferraço afirma que não entende por que a maioria dos deputados, ligados ao governo, foi contra o requerimento.
3 – O vascaíno Hécules Silveira (PMDB) questionou ao deputado Jamir Malini (PP) se o colega era torcedor do mesmo time. Isso porque, o parlamentar tem acumulado uma série de vices nas comissões permanentes da Casa, além de ser um dos vices da Mesa. A resposta de Malini foi sim.

