Quando começou o primeiro ano desta legislatura, em fevereiro, houve em alguns corações a esperança de que desta vez haveria uma Assembleia Legislativa forte, que tivesse realmente interesse em discutir com profundidade os problemas do Espírito Santo e não se deixasse dobrar pelo poder do executivo. Ledo engano, os deputados estaduais vão para o recesso parlamentar carregando o velho rótulo da subserviência ao Palácio Anchieta.
É claro que há exceções e isso é um avanço. Destaque para a experiência de Enivaldo dos Anjos (PSD) e a grata surpresa Sérgio Majeski (PSDB). Esses, para a coluna, foram os parlamentares do ano.
Enivaldo dos Anjos mostrou que seus quatro mandatos de deputado estadual, a passagem pelo Tribunal de Contas e pela prefeitura de Barra de São Francisco lhe deram estofo para tirar do sério o líder do governo, Gildevan Fernandes (PV), com quem protagonizou uma série de embates. Quem observava as discussões não tem dúvida: Enivaldo venceu todas.
Com seu jeito bem peculiar, Enivaldo trouxe visibilidade para a Assembleia, provocou a base e questionou servidores que estão há muito tempo na Casa. O deputado movimentou o plenário.
Majeski trouxe para a Casa um elemento que até então não se tinha, a propriedade para defender determinados temas e a coerência que não se intimida diante do fato de seu partido ser aliado palaciano. Também não se dobra diante das tentativas de desconstrução de sua imagem.
Chegavam a ser ridículas as acusações de que o parlamentar estava depreciando a educação pública em favor da escola particular. O fato que é um professor de escola particular fez aquilo que nenhum deputado estadual fez até aqui, pelo menos nas últimas duas décadas, Majeski deu voz à comunidade escolar e não se limitou a aceitar os comandos do governo e a pressão dos colegas. Foi uma agradável surpresa.
Quem decepcionou foi o deputado mais bem votado. Amaro Neto (PMB). O jeito expansivo e contestador da TV de Amaro criou a expectativa de que, como deputado, fosse mais incisivo em suas posições. Mas Amaro passou despercebido no plenário em seu primeiro ano de mandato.
Quem soube usar muito bem o poder que tinha nas mãos para os seus próprios interesses, mais uma vez, foi o presidente da Casa, Theodorico Ferraço (DEM), que fez da CPI da Sonegação canal de desagravo em relação à Operação Derrama. Vociferou contra o ex-presidente do Tribunal de Justiça, Pedro Valls Feu Rosa, e trouxe à tona a lendária pastinha com documentos que já quase derrubou um governador. Mas Ferraço é outra história.
No mais, o que se pode dizer deste primeiro ano da Assembleia Legislativa é que ela voltou a atuar da mesma forma que nos dois primeiros mandatos de Hartung, se submetendo aos interesses do Palácio Anchieta, ainda que isso signifique desgaste para a imagem dos parlamentares com os eleitores. Tudo isso em nome de uma ajudinha em suas bases e para evitar um enfrentamento com o governador, a quem aprenderam a temer e obedecer.

