O mês do desgosto dá seus derradeiros suspiros em 2014, mas não choremos por ele, que volta com a pólvora toda em 2015. Só nos resta torcer para termos a mesma sorte. Muita chuva, muito calor aqui, muito frio aí, enfim, um mês como outro qualquer. Um evento passou despercebido por muita gente – no dia 27 de agosto, em 1953, o filme A princesa e o plebeu, com Audrey Hepburn e Gregory Peck, estreou em Nova York.
Se tem alguém que não ama esse filme, é porque não assistiu ou já esqueceu. Embora em seu primeiro papel no cinema, a bela abiscoitou o Oscar de melhor atriz e se tornou uma grande estrela da noite pro dia. Só não entendo por que mudaram o título, que o original ficaria melhor, Um feriado em Roma. Muitos títulos de filmes americanos são realmente ridículos, e nossas traduções, na maioria das vezes, acertam. Mas, às vezes, a emenda fica pior do que o soneto.
A belga Audrey Hepburn é uma de minhas estrelas favoritas, tanto na tela como fora dela. Filha de uma baronesa holandesa, Audrey passou a Segunda Guerra na Holanda, e bem sabemos o que deve ter sofrido. Superada a catástrofe e a paz voltando a reinar, ela estudou balé e fez pequenos papéis no teatro. Sua grande chance veio quando a escritora francesa Collete a conheceu e insistiu que interpretasse no teatro a personagem principal de seu romance Gigi.
Sua estreia na Broadway foi um sucesso, e lhe garantiu o papel da princesa Ann no filme. Muitos outros filmes vieram depois desse, sempre com grande sucesso de crítica e bilheteria. Mas o que mais encanta na estrela é seu papel na vida real, pois nunca assumiu a imagem da diva deslumbrada. Em 1969 ela se afastou do cinema e voltou à Europa, dedicando-se a causas filantrópicas. Tornou-se embaixatriz especial do UNICEF.
O apelo do cinema foi muito forte e ela voltou a Hollywood, aparecendo em muitos filmes. Seu último papel foi em Always, dirigido por Steven Spielberg. Mas continuou com suas causas de caridade até morrer, em 1993, na Suíça. O papel da Princesa Ann seria dado a Jean Simmons, o que faria o filme perder muito em estilo e graciosidade. Audrey lançou a moda das estrelas elegantes, exigindo que Givenchy a vestisse.
Você sabia? Na cena final, ao se despedir de Joe (Gregory Peck), a inexperiente atriz não conseguiu derramar as lágrimas exigidas no roteiro. O diretor William Wyler foi grosseiro com ela, fazendo-a chorar de verdade, conseguindo assim o efeito desejado. As duas filhas de Wyler estão na cena em que Gregory Peck tenta conseguir uma câmera emprestada das estudantes. Joe pagou mil liras pelo táxi, e mais mil de gorjeta – o que hoje seria 30 reais.
Sendo um astro famoso, o nome de Gregory Peck apareceria primeiro nos créditos. Foi ele quem insistiu que o nome de Audrey aparecesse junto com o dele, pois obviamente o papel principal de filme era dela. Annn: “À meia noite eu me transformarei em uma abóbora e vou embora no meu sapato de cristal”. Joe: “E esse será o fim do conto de fadas”.

