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Um conto sem fadas

Os contos da carochinha tinham princesas sempre lindas e príncipes sempre valentes, que por um toque de magia da varinha de condão de alguma fada boa deveriam se encontrar e se apaixonar, e depois de muitas dificuldades se casariam e se tornariam reis e rainhas, nem sempre muito bons, dado o histórico dos reinos antigos. Consultando o mapa astral das paixões modernas, vemos que continua tudo igualzinho. Mesmo sem fada-madrinha.
 
Liziete,  princesa de longos cabelos queratinados e óculos Pierre Cardin já não espera seu príncipe enclausurada na torre de um castelo medieval, mas numa das praias da moda. Não que goste tanto assim de areia poluída, mas porque o belo príncipe é salva-vidas. E como o rapaz demora a se manifestar, Liziete é séria candidata a adquirir um melanoma. O governo deveria distribuir protetor solar grátis no verão.
 
Sem querer quebrar o encanto desse singelo suspense amoroso, mas premida pela necessidade de bem informar, devo acrescentar que o melanoma, embora sendo o tipo menos comum de câncer de pele (apenas 2% dos casos),  é o grande vilão. Os jovens são os mais atingidos, pois 25% dos casos ocorrem antes dos 45 anos. A doença aumentou  200%  desde 1973, um crescimento  maior do que qualquer outro tipo de câncer. A boa notícia é que  essa escalada está estabilizada desde 2000.
 
Cerca de 200 mil casos por ano são diagnosticados no mundo todo, com 46 mil mortes. Nos Estados Unidos, o melanoma é a maior causa de morte entre as mulheres de 25 a 30 anos, e a segunda entre adolescentes de 15 a 19 anos, superado apenas pelo câncer de mama. No mundo todo, os brancos são mais afetados  que os negros, sendo os asiáticos  os menos propensos.  Os países com maior incidência são Austrália e Nova Zelândia. Pelo menos ficamos fora desse pódio.   
 
Ocupada em conquistar seu  príncipe encantado, Liziete não lê essas coluna e pouco sabe sobre os riscos de desenvolver a doença com tanto sol e tantos suspiros. O príncipe, terminado o horário de serviço comunitário que deve cumprir por ter sido pego dirigindo embriagado, se manda, que ainda tem que trabalhar na pizzaria de sua propriedade num bairro distante. De ônibus, que a carteira de motorista está temporariamente suspensa.
 
Liziete suspira, decepcionada. Mais um dia tostando ao sol e nada do príncipe se aventurar… Será casado ou gay? A princesa moderna se levanta, fecha a sombrinha de praia, dobra a esteira, pega a bolsa e vai cuidar da vida, ou acaba perdendo o emprego na C & A. No entanto, uma nada romântica greve de ônibus deixará o príncipe parado no ponto, e ela terá a chance de o resgatar, dando-lhe carona em seu carro… Antigamente a gente chamava isso de mágica, hoje pode até ser um empurrãozinho do destino.  

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