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Um dia para ser igual

Por que nós, mulheres de Atenas, precisamos de um dia especial no calendário? Existe um dia para os homens, ou para os ricos, ou para os bonitos? E para os políticos?  Portanto, o Dia Internacional da Mulher foi criado com o propósito de ser eliminado. Idealmente. Enquanto esse paraíso social não se implanta na convivência humana, continuamos sendo discriminadas.  Mesmo nos países do primeiríssimo mundo, a maioria das mulheres continua ganhando menos que os homens.
 
Nos Estados Unidos, as mulheres que trabalham em tempo integral ganham 79% do salário masculino. As mulheres negras ganham 20% menos que as brancas e 40% menos que os homens brancos. Deviam criar uma lei exigindo que, no dia da mulher, os homens são obrigados a substituir as esposas nos locais em que trabalham e ainda  dar conta das tarefas domésticas – cozinhar, passar, lavar as panelas, cuidar das crianças e dos deveres de casa, e da limpeza.  Não se preocupe, eles vão sobreviver.
 
Para comemorar a data de forma mais realística, presenteio as leitoras com esse trecho retirado do livro de memórias de Isabel Allende, A soma de nossos dias, narrando um episódio de suas férias na Índia, em 1995. “Um grupo de trabalhadores  estava mudando uma montanha de um lado para o outro da estrada. Os homens, vestidos apenas de tangas, empilhavam as pedras dentro das cestas que as mulheres punham na cabeça e levavam para o outro lado.
 
Elas eram graciosas e magras, vestidas com saris puídos mas de cores brilhantes – vermelho, cor de cal, verde Esmeralda –  e se moviam como o junco ao vento carregando suas cargas. Classificadas como ‘ajudantes’, essas mulheres  ganham a metade do que os homens ganham.  Na hora de comer, os homens se sentaram em círculo com seus pratos, e as mulheres esperaram a uma respeitosa distância. Depois foram comer o que sobrou”.
 
O Dia Internacional da Mulher foi instituído pela ONU, e o tema escolhido para 2016 foi “Por um planeta 50-50 em 2030: um passo decisivo pela igualdade de gênero”.  Num mundo ideal, não precisaríamos de programas para eliminar as desigualdades, não apenas de gênero, mas também de idade, de cor, de raça, de nacionalidade, de religião e de status social. Na vida real, poucas são as esperanças de que tudo isso possa mesmo ser eliminado até 2030. Em 1970, Nelson Mandela disse, “Estou mais do que nunca influenciado pela convicção de que a igualdade social é a única base da felicidade humana”. Eu também!

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